A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER (2018)

Os Irmãos Spierig são responsáveis por alguns bons filmes independentes, como “Daybreakers”, que tem uma ótima premissa mas se perde no fim, e “Predestination” que consegue ser mindblowing no melhor sentido. Após ter acertado com um novo filme da franquia “Jogos Mortais”, eles retornam com uma produção mais cara com A Maldição da Casa Winchester (Winchester, 2018, EUA), mais um exemplo de boa premissa com uma execução fraca e confusa.

A mansão Winchester existe, ela fica em San José na Califórnia e começou a ser construída em 1884, por ordem de Sarah Winchester, viúva de William Wirt Winchester, o magnata responsável pelo famoso rifle Winchester. Há uma lenda que diz que a casa abriga os fantasmas das pessoas vítimas do rifle e que Sarah continuou construindo cômodos pela casa até sua morte em 1922. O filme dirigido pelos Irmãos Spierig e com roteiro deles em parceria com Tom Vaughan, usa essa história como principal argumento.

Em 1906 o doutor Eric Price (Jason Clarke), um psiquiatra afastado do cargo por motivos pessoais, é contratado pela empresa Winchester para avaliar psicologicamente a viúva Sarah Winchester (Helen Mirren), que vive em uma mansão em construção interminável, porque acredita que a casa tem uma missão mediúnica de abrigar as almas das pessoas que foram vítimas das armas fabricadas por sua empresa. Price lida com seus próprios fantasmas desde que testemunhou a esposa tirar a própria vida e por isso vive entre prostitutas e vícios. Ao se mudar para a mansão, Price precisa lidar com o passado ao mesmo tempo que analisa se Sarah é louca ou realmente tem uma ligação com o mundo dos mortos.

A Maldição da Casa Winchester consegue manter muito bem o clima de terror gótico mas se perde em tentar contar histórias demais sem se aprofundar em nenhuma delas. A lenda que envolve a história da casa já é suficiente para manter um bom roteiro, mas escolhem o personagem mais fraco para ser o ponto central. Mas o filme apresenta o Doutor Price como foco principal, levantando um bom argumento para deixar dúvidas sobre a sanidade de Sarah. Mas quando as histórias se entrelaçam, ambas perdem força e ainda ganham um fator que a confunde mais ainda, a sobrinha de Sarah e seu filho. Personagens que ficam perdidos na trama.

O elenco é um ponto forte, Helen Mirren não precisa de apresentações e parece se divertir como a excêntrica e sofrida Sarah Winchester, enquanto que Jason Clarke é um ator que cresce em Hollywood a cada filme que trabalha. Mas nem suas boas atuações salvam o roteiro confuso e mal executado, o que pode ser um fator muito ruim para um filme de terror.

É uma pena ver um filme com um bom potencial para ser uma excelente produção de terror, principalmente porque discute (muito superficialmente) a questão das armas de fogo nos EUA. Talvez um ponto de vista um pouco mais político e crítico poderia transformar esse fraco filme em uma excelente alegoria sobre os EUA atual. O timming seria perfeito mas faltou ousadia.

 

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