ESPECIAL > Mulher-Maravilha: Origem

Desde que foi comentado que a Mulher-Maravilha completaria a trinca com Superman e Batman no filme Batman v Superman e, mais ainda, que ela ganharia um filme solo, que o mundo voltou a amar a filha mais ilustre de Themyscira. Agora falta muito pouco para finalmente irmos ao cinema ver o produto final e a ansiedade é crescente, a minha é, bastante. Mas a pergunta que fica é: você conhece a origem da Mulher-Maravilha? Dessa heroína que é tão querida e icônica quanto o Batman e o Superman. Então vamos conversar um pouquinho sobre ela.

Tudo começou em 1942 com o psicólogo William Moulton Marston, criador do polígrafo, que também era consultor educacional para umas das empresas que formou a DC Comics. Marston queria criar um super-herói que triunfaria através do amor e não pela força, então veio de sua esposa, Elizabeth Holloway Marston, a ideia de que deveria ser uma mulher. William e Elizabeth eram casados, mas também viviam com Olive Byrne, o que influenciou muito a forma como Marston criou toda a mitologia da Mulher-Maravilha. Para ele a heroína seria uma alegoria de um novo “tipo de mulher” que deveria governar o mundo. Mulher-Maravilha surgiu na HQ “All Stars Comics #8”, de outubro de 1941 e em 1942 ela ganhou sua própria HQ, que contava a origem dessa nova super-heroína descendente dos Deuses Gregos e criada a partir do barro.

Marston observava que as meninas daquela época não queriam ser meninas, porque os exemplos que tinham eram de mulheres doces, submissas e pacíficas. A sua solução foi criar uma personagem tão forte quanto o Superman mas com as atitudes de uma mulher decidida e tão bonita quanto uma deusa grega. Outra crença que Marston tinha era a de que as pessoas deveriam em algum momento de suas vidas experimentar a submissão, não de forma violenta, mas erótica. Ele acreditava que quando uma pessoa se submetia a outra, ela passava a enxergar o mundo de forma mais pacífica. Por isso há o laço da verdade, não apenas como uma alusão ao polígrafo, como também uma forma da Mulher-Maravilha submeter seus inimigos ao seu poder. Viver de forma poliamorosa com duas mulheres, combinado aos princípios feministas difundidos através do movimento sufragista, além do fato de muitas mulheres precisarem trabalhar fora de casa, já que os homens estavam lutando na Segunda Guerra, também foram influências para Marston criar sua super-heroína que é capaz de cuidar de si mesma e dos outros.

A Mulher-Maravilha, como fica conhecida no “mundo dos homens”, nasceu Princesa Diana de Themyscira, esculpida do barro por sua mãe Hipólita e trazida à vida por Afrodite. Na história criada por Marston há muito da mitologia grega, onde Hipólita perde seu cinturão para Hércules e depois tem seu poder restaurado por Afrodite. Por se sentir muito só em sua imortalidade, Hipólita cria uma criança de barro que ganha vida através de Afrodite. Diana é imortal como a mãe, se não deixar a Ilha onde vivem. É bela como Afrodite, forte como Hércules, sábia como Atena e rápida como Mercúrio. Ela vive entre as Amazonas em paz, até o dia em que o avião de Steve Trevor cai em sua ilha e ela o resgata. Diana se torna obcecada por Steve e faz de tudo para que ele fique bom para que possa retornar ao seu mundo. O curioso é que na origem de Marston, Diana também é uma cientista além de guerreira. Hipólita decide que haverá um torneio entre as melhores guerreiras da ilha para decidir quem levará Steve Trevor de volta e ajuda-lo na Guerra que está acontecendo. Porém, Diana é proibida de participar porque ela perderá sua imortalidade se sair da ilha. Mas Diana está obcecada por conhecer o “mundo dos homens” e ajudar Trevor, então participa do torneio mascarada e ganha. Mesmo contrariada, Hipólita cumpre sua promessa e sua filha vai embora da ilha levando Steve Trevor. Em nosso mundo, ou nos Estados Unidos, Diana se torna Diana Prince, uma enfermeira que vai ajudar os enfermos da Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo que ajuda a lutar contra o mal e os nazistas como Mulher-Maravilha.

Essa primeira versão para a origem da Mulher-Maravilha é conhecida como The Golden Age, ainda nessa época ela se torna secretária da Justice Society of America, o que deixou Marston furioso. Felizmente Marston já havia falecido nos anos 1960 e não viu que sua personagem perdera seus poderes ao sair de Themyscira, viraria dona de uma loja e passaria a treinar com um mestre chinês chamado I Ching. Ela passou a ser espiã e essa nova origem é uma das influências para série de TV britânica The Avengers, também da década de 1960.

A Bronze Age da Mulher-Maravilha a leva de volta ao mundo dos super-heróis, nos anos 1970 e influencia diretamente a série de TV que é criada, com Lynda Carter como Diana. Nessa época ela volta a ser uma semideusa, com poderes, que luta pelo bem durante a Segunda Guerra. Em 1977 ela perde a águia em seu corpete e ganha o WW estilizado, que ficou famoso desde então. Em 1985, com a série Crise nas Infinitas Terras sua origem vota a ser semelhante a idealizada por Marston mas são feitas modificações em seu uniforme. Ela é uma embaixadora de Themyscira que vem trazer paz e ordem ao mundo dos homens.

Em 2010 Diana é uma órfã criada em New York que não lembra de seu passado em Themyscira. Em 2011 ela volta à sua origem helênica, mas agora ela é filha de Hipólita com Zeus, origem muito discutida por entrar em conflito com a idealizada por seu criador, que desejava que sua Mulher-Maravilha fosse um ser criado do nada através de poderosas deusas que lhe davam poderes, sem nenhuma interferência masculina.

Talvez Greg Rucka seja quem chegou mais próximo das ideias de Marston para a Mulher-Maravilha, quando em 2016 passou a ser responsável pela personagem na série DC Rebirth. Para Rucka Diana é bissexual já que ela foi criada e cresceu em uma ilha habitada apenas por mulheres, que nunca tiveram nenhum contato com homens. Rucka explicou que essa seria a configuração mais perto da realidade para uma mulher que nunca havia conhecido um homem. Claro que essa explicação gera várias outras discussões, mas com certeza é um grande avanço para a personagem que já teve sua origem mudada tantas e tantas vezes para poder se adequar à realidade da época em que “vivia”.

Há também a versão da série The Legend of Wonder Woman, criada por Renae De Liz, de 2016 lançada pela DC apenas na versão online e que no início de 2017 ganhou uma versão impressa encadernada. A intenção da autora foi resgatar a ideia inicial de Marston, de que Diana nascia a partir do barro através da vontade de Hipólita de ter uma filha, e a partir daí desenvolver melhor sua origem dando à Diana um visual mais próximo ao que seria uma mulher amazona guerreira. A versão de De Liz é uma das minhas favoritas por suavizar a personagem e deixa-la mais próximo de como uma mulher, mesmo semideusa e guerreira, seria.

O que vale pensar é que não importa qual é a origem da Mulher-Maravilha, qual sua versão favorita ou a forma como ela nasceu. O que importa é que ela é tão icônica quanto o Superman ou o Batman, mas por muito tempo pareceu ser preterida fora dos quadrinhos. Tirando a série estrelada por Lynda Carter, a personagem teve um filme produzido para televisão em 1974, que deturpava tanto sua origem e sua mensagem que nem vale a pena ser citado. Felizmente os tempos são outros e em uma época que o feminismo toma força e desperta tantos debates sobre o papel da mulher na sociedade atual, é mais do que oportuno que a super-heroína, que nasceu por causa desse princípio, finalmente ganhe a tela do cinema e o devido reconhecimento em todo o mundo.

 

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