FILME 175 > T2 TRAINSPOTTING (2017)

“Trainspotting” é um dos filmes que mais amo na vida, por isso, nos últimos dois meses o que mais me ouviram falar foi sobre o quanto eu estava louca para ver T2 Trainspotting (Reino Unido, 2017), mas quando finalmente sentei na sala do cinema e a luz apagou, me deu um frio na barriga e um medo enorme do Danny Boyle ter estragado tudo. Tudo o que posso dizer é que logo depois da cena final, quando aparecem os créditos eu estava feliz, muito feliz e emocionada. Havia reencontrado personagens que sempre amei tanto e Boyle havia feito um trabalho fenomenal.

Para ver esse segundo filme, decidi me preparar. Além de rever pela milésima vez o primeiro, que já sei de cor falas, o discurso de Renton e amo a trilha sonora mais do que tudo, também resolvi ler Porno, para me preparar para saber o que aconteceu aos meus personagens tão queridos. O livro de Irvine Welsh acontece 10 anos depois do primeiro livro/filme, sabia que o segundo filme acontecia 20 anos depois, então fiquei curiosa para saber como Irvine e John Hodge, o roteirista, trabalhariam nessa modificação.

Bom, a primeira coisa que digo é: esquece Porno. No começo fiquei um pouco (mas bem pouco) triste, porque o livro tem uma história sensacional, mas conforme o filme seguia, percebi que aquela era a história necessária a ser contada. O que 20 anos fez a quatro viciados em heroína, que não se preocupavam com o futuro e queriam viver o agora. Claro que esses vinte anos foram bem cruéis, mesmo que eles se recusem a aceitar que eles passaram.

Sick Boy, ou Simon, (Jonny Lee Miller) ainda vive de golpes, agora com a ajuda de sua namorada, Nikki (Anjela Nedyalkova), ao mesmo tempo que gerencia seu próprio pub em Leith, bairro de Edimburgo. Ele e Nikki tem planos em transformar o segundo andar do pub em uma casa de massagem/sauna, que seria comandada por ela. Pra isso precisa de dinheiro. Begbie (Robert Carlyle) continua violento e com a ideia fixa de se vingar de Renton que roubou dinheiro dele e de Simon. Spud (Ewen Bremner) ainda briga com as drogas, tenta manter seu casamento, mas por não conseguir emprego, acaba sendo largado pela esposa, Gail (Shirley Henderson). E Mark Renton (Ewan McGregor) volta para Edimburgo depois de 20 anos morando em Amsterdam e vai reencontrar Simon.

Em um determinado momento do filme, entre as muitas alfinetadas entre Simon e Renton, Simon comenta que Renton está fugindo da vida adulta ao voltar pro Leith, que esse retorno é um passeio nostálgico pela sua juventude. Bom, é exatamente esse o clima do filme, nostalgia. Todos eles continuam presos ao passado de alguma forma e o intuito desse filme é libertá-los. Sem entrar em detalhes para não estragar o filme, ao mesmo tempo é gratificante para os fãs do antigo filme rever esses personagens. Sentada no cinema, me senti reencontrando velhos amigos, já que Renton, Sick Boy, Spud e até Begbie tiveram um impacto bem grande em mim quando vi o primeiro filme, pela primeira vez. É muito interessante ver os anti-heróis da minha geração amadurecerem comigo e perceber que eles também não têm muita ideia de como ser adulto.

Apesar de toda a nostalgia que T2 resgata, sua direção é bem atual. Danny Boyle mostra personagens presos ao passado mas prova ser inovador, misturando cenas, diálogos e até mixando músicas dentro do próprio filme, com novas cenas antológicas que assim como lá em 1996, vai influenciar o que vier em seguida dentro do cinema independente britânico. Sua trilha sonora mais uma vez é um elemento muito importante, quase que um outro personagem.

Dentro de toda essa nostalgia e novos momentos para me apaixonar, o que mais me chamou atenção no filme foi o quanto os atores estavam à vontade em seus papéis. McGregor, Lee Miller e Carlyle são bem conhecidos, atualmente, do público, mas Ewen Bremner não ganhou nenhum outro papel de destaque, apesar de ter participado de algumas produções famosas. Spud foi o papel mais marcante de sua carreira, agora ele se destaca no filme com uma atuação emocionante e que rouba quase todas as cenas em que aparece.

T2 Trainspotting é uma experiência tão incrível quanto a do primeiro filme, um presente maravilhoso para os fãs antigos e um grande filme para quem o vê pela primeira vez. Mais uma vez inova a linguagem cinematográfica sem comprometer a trama e reafirma a importância de seus personagens icônicos.

 

*Esse texto foi publicado originalmente no site Cheiro de Livro

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