FILME 170 > FALLEN (2016)

Primeiro preciso confessar que não curto muito histórias sobre menina atormentada por sua vida normal até descobrir que ela é especial e, além de tudo, ter dois caras apaixonados por ela. Pode falar que tenho um coração frio, que não sou romântica (até sou, acredite), que esses livros são ótimos para distrair e aquecer o coração, mas não adianta, não é minha praia. Só que eu respeito o estilo e sei que muita gente curte. Por exemplo, a Frini que adora os livros, escreveu as resenhas aqui pro site, ficou amiga da escritora. Acima de tudo, eu entendo muito bem o que é ser fã, de amar um livro, de se apegar aos personagens e, principalmente, a empolgação de saber que seu livro favorito vai ganhar vida no cinema. Por entender fangirling (sou de carteirinha de várias coisas) e, mais ainda, por respeitar o gosto dos outros, despi meu preconceito e fui ao cinema assistir Fallen (EUA, 2016).

Mesmo sem ter lido o livro, tenho certeza que os diálogos não podem ser tão pobres como os do filme e nem deve ter tantos furos, afinal confio no gosto e no senso crítico da Frini. Para poder entender o que aconteceu, fui pesquisar sobre o diretor e sobre o elenco, foi a partir do diretor que comecei a entender o que pode ter acontecido. Scott Hicks brilhou lá em 1996 quando dirigiu “Shine”, que deu o Oscar de melhor ator para Geoffrey Rush. Desde então o diretor só trabalhou com adaptações, “Neve Sobre os Cedros” (1999), “Hearts in Atlantis” (2001), “The Boys Are Back” (2009), “Um Homem de Sorte” (2012) e agora Fallen. Não sei se ele subestimou o público que iria ver o filme, se sofreu pressão do estúdio, se fez o filme pra ganhar dinheiro, já que é em cima de um best-seller (se bem que Stephen King e Nicholas Sparks também rendem uma grana, né?), ou se simplesmente estava sem saco. Não sei, o que sei é que o filme nitidamente é mal dirigido.  Porque não tem como juntar um elenco com atores bons como Jeremy Irvine, Lola Kirke, Joely Richardson e até a fofa Addison Timlin e errar tanto. Niguém parece à vontade em seu papel, nenhuma fala parece natural. Nenhuma situação convence e a edição é confusa, sem emoção, que corre para contar a história em uma hora e meia de filme.

A trama é sobre Lucinda “Luce” Price (Addison Timlin), que vai para um internato para jovens problemáticos, depois de ser acusada de ter sido responsável pela morte do seu namorado. Em Sword and Cross (o internato), ela conhece Cam (Harrison Gilbertson), um jovem problemático e Daniel (Jeremy Irvine), um rapaz misterioso que parece não gostar dela. Mas Luce sente que conhece Daniel de algum lugar, ao mesmo tempo que se sente atraída por Cam. No novo colégio, Luce fica amiga de Penn (Lola Kirke) e desperta o interesse da professora de religião, Miss Sophia (Joely Richardson). Sem dar spoiler, apesar de achar que a maioria já sabe que a história envolve anjos e um amor milenar, não fica muito claro porque Cam também gosta de Luce e porque ele a quer tirar de Daniel, não pode ser por puro capricho.

O filme tem um clima anos 1990 que me agradou, lembra algumas séries dessa época, principalmente as produções britânicas. A história acontece em Savannah nos EUA, mas foi filmado na Hungria, em um castelo antigo, talvez seja essa razão de parecer dos anos 1990. A trilha sonora é completamente genérica, o que me incomodou muito. Algumas situações acontecem muito rápido e sem explicação, o que claramente parece ser problema de edição. O filme corre, situações emocionantes acabam sendo vazias e o clímax do filme é morno, com um diálogo fraco e a pior reação de um vilão (se é que o Cam é vilão) que já existiu. A única coisa que realmente gostei do filme foi da atriz Addison Timlin, que conseguiu no meio desse caos manter seu personagem e mostrar carisma. Sua Luce convence e é adorável sem ser fragilzinha.

Fiquei bem chateada com o filme, porque depois de tantas boas adaptações, depois de todo o respeito que Hollywood passou a ter por adaptações de livros jovens adultos, parece que ainda tem gente que acha que se fizer qualquer coisa vai atrair público da mesma forma. Feio isso, desrespeitoso com os fãs da saga. Basta olhar para toda a franquia “Jogos Vorazes” e ver que é possível fazer algo com muita qualidade, que agrada tanto os fãs dos livros como aqueles que nem leram. Espero, realmente, que para o próximo filme pensem sobre isso e realizem algo bem melhor, os fãs de Fallen e da Lauren Kate merecem.

*Texto publicado originalmente no site Cheiro de Livro

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