FILME 167 > A LENDA DE TARZAN (2016)

Antes de começar a falar sobre Tarzan, vamos conversar sobre David Yates, o diretor do filme. Britânico, ele tem um trabalho correto e foi responsável por quatro dos filmes baseados nos livros do Harry Potter, além de também estar trabalhando em “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que estreia em novembro. Logo, percebemos que Yates já tem certa familiaridade em levar personagens de livros para a tela do cinema. Curto muito suas adaptações de Harry Potter, porque ele não tenta ser mais importante do que sua obra, ele coloca sua assinatura, mas sem estragar a obra alheia. Porém, em A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan, Inglaterra/EUA, 2016) ele se segura um pouco demais e cria uma trama morna (mesmo com o abdômen de Alexander Skarsgard em cena).

John Clayton (Skarsgard em toda sua lindeza e glória), voltou para a Inglaterra há alguns anos e está casado com Jane (Margot Robbie). Apesar de todos saberem sua história, que seus pais morreram quando ele era bebê, no Congo, e ele foi criado por macacos, passando a ser conhecido como Tarzan. O Rei Leopoldo, da Bélgica, convida John a retornar à África e ver o que ele fez pelo país, mas John recusa. Por fim é convencido por um americano, ex-escravo, George Washington Williams (Samuel L. Jackson) que seria uma boa ideia fazer a viagem e que ele está disposto a ir junto. Porém, ao chegar na antiga tribo onde John e Jane viveram no passado, eles percebem que tudo era uma armadilha feita por Léon Rom (Christoph Waltz), um mercenário que trabalha para o Rei Leopoldo, atrás de diamantes e escravos. Rom quer entregar John/Tarzan para o líder de uma tribo inimiga em troca de diamantes e um exército de mercenários.

Com toda certeza o maior apelo do filme é o Tarzan, além de ser interpretado por Alexander Skarsgard, que já é um enorme bônus, o personagem ganha uma aura de super-herói, ao conseguir lutar com animais quase mortais, pular de alturas impossíveis, correr numa velocidade inacreditável e ainda desviar de balas. Quando aceitamos que aquele Tarzan está mais próximo da Marvel ou da DC do que dos livros de Edgard Rice Burroughs, o filme vira uma grande aventura divertida. Samuel L. Jackson funciona muito bem como ele mesmo e como alívio cômico, porém, Waltz está começando a se repetir como o vilão sem escrúpulos e muito malvado, quase uma caricatura da sua performance maravilhosa em “Bastardos Inglórios” (de Tarantino). Talvez seja a hora dele procurar outros tipos de personagens. Margot Robbie, que é uma excelente atriz, faz papel de linda e durona como Jane, ajudando a aumentar a beleza do filme.

A trama aventuresca de Tarzan tem por trás um quê de crítica social, ao falar do tráfico de escravos, na época, e alguma coisa sobre a Guerra Civil Norte-americana, além de toda a importância de um convívio pacífico com os animais e a natureza, respeitando limites e tradições. Mas, tudo isso de uma forma bem britânica, bem correta, sem se aprofundar nos assuntos e sem criar desconforto, principalmente porque em determinado ponto, Tarzan precisa mostrar que é o herói do filme e toda a preocupação política e social do filme dá lugar a cenas grandiosas com animais, brigas e ao Skarsgard sem camisa.

No fim, o filme é interessante por mostrar o Tarzan muito tempo depois de sua origem, já casado e lutando com seu lado selvagem, para ser apenas o Lorde Greystoke. Essa antecipação de saber tudo que o personagem é capaz cria um clima interessante ao filme, que é recortado por rápidos flashbacks da infância de Tarzan. Não é um grande filme, há alguns problemas, mas é uma ótima aventura, muito bem orquestrada por Yates, que já provou que sabe contar bem suas histórias.

*Texto originalmente publicado no site Cheiro de Livro

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