FILME 166 > CAÇA-FANTASMAS (2016)

“Nenhuma mulher vai caçar fantasmas.” É uma das frases que aparece logo no início do filme, proferida por um troll em um vídeo delas. Bom, os haters que me desculpem, mas elas caçam sim e em grande estilo!

Muito foi discutido, argumentado e debatido (para não falar xingado, hostilizado e ameaçado) desde que foi confirmada a ideia de refazer o clássico filme Os Caça-Fantasmas (1984) com um elenco feminino nos papéis principais. Em parte, eu concordo, remakes nunca são bem-vindos, porque não se brinca com que é perfeito, não é mesmo? Mas reimaginar tudo e colocar quatro grandes mulheres comediantes em papéis tão icônicos, me despertou uma curiosidade boa. Foi uma espera eterna, entre fotos de figurinos, possíveis cenários, trailers e muita, muita má vontade da galera do “não vi e não gostei”, até finalmente ver o filme e poder dizer: A-HA! É (realmente) genial!

Erin Gilbert (Kristen Wiig) é uma renomada física e professora da Universidade de Columbia que recebe a visita de uma pessoa que leu seu livro escrito anos atrás em parceria com Abby Yates (Melissa McCarthy) sobre a existência de fantasmas. Com medo de que o ressurgimento do livro possa acabar com sua carreira, Erin vai atrás de Abby e descobre que fantasmas realmente existem. As duas amigas começam uma caça aos fantasmas de Nova York ao lado de outra cientista, Jillian Holtzman (Kate McKinnon) e uma ex-bilheteira do metrô, Patty Tolan (Leslie Jones) que conhece a cidade melhor do que ninguém.

Primeiro, vamos deixar bem claro que não achei ótimo só por causa do elenco feminino, e sim porque ele é genial ao usar um elenco feminino em papéis completamente masculinos até então: cientistas criativos e muito bons no que fazem. Aí você pensou: “nossa, mas já existem outros filmes com cientistas mulheres fodonas”. Sim e não. Existem, são ótimos, mas há uma ênfase meio irritante nesses papéis. Em Caça-Fantasmas, isso é natural. Não é incrível que elas sejam cientistas, não há um espanto por isso. Muito pelo contrário, elas são tratadas como qualquer outro cientista maluco tentando convencer o mundo de suas criações loucas. Não há condescendência, não acham bonitinho, não há tratamento diferente. E isso é muito, muito importante.

Outra grande sacada do filme é que elas são realmente amigas, se apoiam, brigam pelas razões certas e não há qualquer tipo de disputa. Não há um cara que se intromete entre elas, não há inveja, ou seja lá o que pensem sobre o universo feminino. Cada uma tem seu valor e seu peso no filme. Todas as quatro brilham e brilham muito. Conhecer melhor o trabalho de Kate McKinnon e Leslie Jones é um deleite. Holtz e Patty são hilárias, dando o equilíbrio perfeito ao quarteto. Também é preciso dar crédito ao trabalho de Chris Hemsworth sendo lindo e engraçado, como o hilário secretário tapado e quase inútil, Kevin.

O filme não é ótimo só porque soube aproveitar muito bem seu elenco. Tudo bem que esse é um ponto bem forte, mas ele faz uma homenagem perfeita ao filme original, com cenas sutis que lembram o primeiro filme e aparições maravilhosas dos atores antigos em momentos chave. Ele nos leva de volta aos anos 1980 com homenagens e referências a outros filmes daquela época, além da estética. As piadas são muito bem construídas e as situações muito bem orquestradas, o que mostra o primor do trabalho de roteiro, diretor e (mais uma vez) elenco. O equipamento usado pelas novas caça-fantasmas é um upgrade do equipamento antigo. Mesmo com mais de 30 anos de diferença, conseguimos reconhecer cada um deles. Egon ficaria muito orgulhoso de Holtz. Fiquei meio com medo de que o excesso de tecnologia, atualmente, pudesse estragar o filme, virando o seu ponto central. Felizmente os efeitos especiais têm lugar certo; mesmo que eles estejam presentes em 70% das cenas, são muito bem trabalhados com o enredo, construindo uma história redonda, que funciona muito bem, tanto em relação à construção dos personagens, quanto em contar a trama de fundo.

A verdade é que o novo Caça-Fantasmas faz pela nova geração o que fez pela minha: ser um filme divertido, engraçado e com personagens carismáticas que ficarão para sempre com a gente, com o bônus de mostrar a toda uma geração de meninas que elas podem ser o que quiserem, até incríveis caçadoras de fantasmas.

AH! E fiquem até o final dos créditos! Há uma cena pós-créditos muito importante.

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