FILME 162 > DEADPOOL (2016)

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Já estou faz meia hora olhando para a página em branco do word pensando numa maneira de começar essa resenha. Calma, não se assusta, o filme não é ruim, não! Não mesmo, é muito divertido, da forma que o Deadpool (EUA, 2016) merece. O meu problema é outro… como comentar o filme mais divertido de 2016? Não, espera, exagero, né? 2016 ainda tem Guerra Civil, Batman v Superman, Esquadrão Suicida, X-Men… eita, péra, esse último foi piada. Enfim, tô divagando e nada de falar sobre o filme. O problema é que não tem como falar sobre Deadpool sem contar alguns spoilers. Desculpa. Você pode parar de ler aqui e voltar para ler depois. Mas se não voltar, vai perder um texto bem legal, cheio de referências incríveis sobre o filme. É, mas spoiler é complicado… Bom, decide aí. Vou te dar um minuto. Enquanto isso, viu o comercial da Coca-Cola durante o Super Bowl? Foda, né? Ih! Foi mal. Resenha tem classificação etária? Mas e aí, decidiu? Muito indeciso você e essa enrolação aqui tá ficando chata, vamos logo ao que interessa!

Logo no início do filme, lá nos créditos iniciais – não, não vou contar o filme todo desde o início, vou só fazer uma ligação aqui para poder te contar porque Deadpool é fo… quer dizer, muito legal – tem uma brincadeira, uma parada meio genérica, meio piada que diz que o diretor é um cara que se acha. Bom, eu não sou amiga do Tim Miller, na verdade nem o conheço, o cara pode até se achar, sei lá, mas esse é o primeiro filme dele. Antes ele fazia animações, principalmente para créditos iniciais, o que faz total sentido o primeiro longa dele ser baseado em um personagem de HQ, porque o filme funciona mesmo como uma HQ. Tanto na narrativa quanto na estética… e com certeza quando quebra a quarta parede. Essa é a característica que o Deadpool tem de “conversar” com o público, da mesma forma que acontece nos quadrinhos. Então pode anotar: o diretor Tim Miller é ótimo, ganhou uma tarefa bem difícil e conseguiu transportar Deadpool para a tela do cinema com muita competência. Acho que com isso o cara ganha o direito de se achar.

Mas eu sei que o que interessa mesmo é saber se Ryan Reynolds mandou bem. Com aquele abdômen? Claro que ele tá ótimo! Não era isso que você queria saber? Tudo bem, eu entendo, até hoje você acorda no meio da noite gritando, porque sonhou com o Deadpool do Reynolds em X-Men Origens: Wolverine. Pode parar de guardar a grana da terapia para superar esse trauma e gasta na pipoca e no refrigerante. Reynolds se redimiu por esse papel, pelo Lanterna Verde e até por ter feito R.I.P.D., juro! Ele mostra que merece muito vestir o uniforme vermelho, passar por toda a tortura para se transformar na personificação perfeita do anti-herói. Porque ele é super, mas não é herói. Desde o primeiro segundo que ele aparece na tela te convence que ele nasceu para ser o Deadpool, não consigo pensar em nenhum outro ator com o nível de sarcasmo mais perfeito. Tanto durante os diálogos rápidos e recheados de referências nerds, quanto nas cenas de ação (super, super, super violentas e, claro, super, super, super divertidas).

De uma coisa tenho certeza, ele achou que valia a pena levar tiros, ser desmembrado e todo o resto para poder contracenar com a Morena Baccarin, que faz a Vanessa Carlysle. Ela tá linda e ótima, a química entre os dois é perfeita, ela consegue manter o ritmo das piadas com Reynolds e faz todo mundo torcer para ela virar logo a Copycat e ganhar um filme só dela. Sério, se alguém falar o contrário é puro recalque.

Sim, a personagem dela é uma prostituta, e antes que comecem a falar “a única mulher do filme é uma prostituta”, calma! Primeiro que ela não é a única mulher, tem também a Brianna Hildebrand como a Negasonic Teenage Warhead e a Gina Carano como a Angel Dust, que chuta a bunda do Colossus (Stefan Kapičić) – uau! Tem X-Mens no filme! – Sim tem, além de várias referências maravilhosas e hilárias sobre eles, vá – ri – as! – O lance importante aqui é que não existe uma exploração em cima da Vanessa ser prostituta, o importante é que mostram ela como uma mulher independente, forte, apaixonada e companheira.

E o vilão? Putz, tem mesmo que falar dele? É um cara chamado Francis… quer dizer, é o Ajax, interpretado por um ator britânico (Ed Skrein), porque vilão tem que ter sotaque, né? Mas vou falar logo: É fraco. Mal construído, malvado de forma bem caricata, que serve de escada para a transformação do Wade em Deadpool e para Reynolds brilhar mais ainda. Isso não importa na verdade, porque esse não é um filme sobre a origem de um super-herói. Essa é uma história de amor. Não acredita? Mas é! Parece Love Story só que sem as lágrimas e todo o drama, com mais palavrões, bem mais violência (Hello! Love Story é estrelado pelo Ryan O’Neal) e bem mais sexo. Mas tem o mocinho com câncer que se afasta da mocinha para ela não sofrer, daí faz uma escolha radical para poder voltar para ela. Só que tudo dá muito errado, ele fica desfigurado. Tá, com superpoderes mas HORROROSO, daí só resta se vingar do cara que deixou ele assim. A vantagem aqui, em relação ao Love Story é que apesar de serem xarás, o Ryan Reynolds é um ator fofo que não bate em mulher.

Acabei de me tocar que já falei muito sobre o filme e nem dei spoiler. Aí aquele aviso lá em cima vai perder o sentido. Só pra não ficar muito perdido, posso contar que o Deadpool vai morar com uma senhora cega tão sem noção quanto ele, a Al (Leslie Uggams). Mas espera, isso tem nos quadrinhos… certo. O Stan Lee aparece no filme e o Rob Liefeld também! Sim, um dos criadores do Deadpool faz um cameo bem divertido. É, o Stan Lee aparece em todos os filmes da Marvel. Sabe de uma coisa? Deixa de ser preguiçoso, para de procurar por spoilers e vai ver o filme!

Tá, vou dar um mini spoiler só pra você ficar feliz. O confronto final do filme acontece em um porta-aviões destruído em um campo de sucatas! O que foi? Sem graça? CLARO QUE NÃO! Porta-aviões! Vingadores! Hein? Lembra? Então…

Aí que tá, eu podia ter escrito um texto cheio de teorias em cima do filme por causa das mil outras referências que ele tem. Podia analisar o Deadpool dos quadrinhos com esse do filme, mas esse não é meu estilo e até o próprio Deadpool acharia isso bem chato. Contar as referências seria a mesma coisa que contar as piadas antes e cortar metade da graça do filme pra muita gente. Não sei, acho que não tem mais o que falar pra te convencer a ir para o cinema agora. Na verdade, ainda não entendi porque você ainda tá aí, na frente da tela do computador, lendo sobre o filme, ao invés de trocar de roupa e correr pro cinema. Cara, a temporada dos filmes fodas começou e você tá só perdendo tempo! Ei! Não se esquece de colocar o sapato, ah! E a carteira, pega ali a carteira em cima da mesa. Bom filme.

Não! Espera, volta aqui! Faltou uma dica: Não bebe muito refrigerante não, porque você vai querer sair correndo quando o filme acabar e perder duas – sim! DUAS! – cenas pós-créditos muito divertidas. Não vai querer perder, né? Depois todos os seus amigos vão falar sobre elas e você só vai lembrar que estava no banheiro… caído. Pronto, agora pode ir.

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