FILME 157 > KINGSMAN: SERVIÇO SECRETO (2015)

Matthew Vaughn se une mais uma vez a Mark Millar e leva a HQ “The Secret Service” para o Cinema, no melhor estilo James Bond old school. Colin Firth prova que pode ser um sexy agente secreto e Samuel L. Jackson está pronto para conquistar o mundo como super vilão megalomaníaco. 

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Colin Firth como Harry Hart/Galahad

 

Quer saber qual o nível do comprometimento do diretor Matthew Vaughn com o filme Kingsman: Servico Secreto (Kingsman: The Secret Service, 2015, Reino Unido)? Ele simplesmente decidiu não dirigir “X-Men, Dias de Um Futuro Esquecido” para se dedicar completamente ao projeto de levar às telas a HQ de Mark Millar e Dave Gibbons, “The Secret Service”.

É preciso levar em consideração que a HQ é bem incrível. Millar se uniu a Gibbons com a ideia de criar uma homenagem às antigas histórias de James Bond. Na verdade, essa ideia surgiu em uma conversa com Vaughn, que havia sido convidado para dirigir “Cassino Royale”. Os dois chegaram à conclusão que seria interessante uma história (ou filme) que mostrasse a origem de Bond, de como ele havia se tornado agente secreto. Com essa ideia na cabeça unida à uma interessante matéria do jornal britânico “The Guardian”, sobre como o diretor Terence Young (de “O Satânico Dr. No”) lapidou Sean Connery em James Bond, Millar criou o personagem Eggsy, o menino pobre, que sempre viveu de pequenos delitos e que acaba na escola de treinamento contra-terrorismo do MI6. Ele é levado por seu tio, o agente secreto Jack London. O tom da HQ é um pouco mais sério que o do filme, mas brinca da mesma forma com os clichês das histórias de agente secreto. A HQ foi lançada em 6 volumes, em 2012. No mesmo ano, Vaughn começou a trabalhar ao lado de Jane Goldman (“X-Men Primeira Classe”) na adaptação para o cinema.

O filme muda muitos elementos da HQ, nele Jack London é Harry Hart, interpretado por Colin Firth, agente da Kingsman, uma sociedade secreta de cavalheiros que existe há séculos. Ela fica na Saville Row, rua londrina famosa por suas exclusivas alfaiatarias seculares. Em uma dessas elegantes lojas se esconde o QG da Kingsman, formada por agentes tão secretos que se nomeiam como cavaleiros da Távola Redonda. Hart é Galahad, Michael Caine é o chefe da organização e, óbvio, Arthur. Mark Strong é o especialista em inteligência e armas, Merlin. Há 17 anos, Hart participou de uma missão onde perdeu um de seus agentes. Por culpa, ele visita a família do agente morto e entrega uma medalha de honra com um número atrás, explicando a esposa que em qualquer situação que eles precisem, devem entrar em contato com aquele número.

Anos mais tarde, Gary “Eggsy” Unwin (Taron Egerton), filho do agente morto, vai preso e liga para o número na medalha. Hart se livra das acusações contra o rapaz e o recruta para um treinamento na Kingsman. Eggsy se destaca dos demais colegas, que são jovens vindos de escolas ricas e famílias abastadas, mas logo se adapta a seu treinamento. Ao mesmo tempo, Hart e todos os agentes da Kingsman tem que lidar com uma nova ameaça terrorista que leva ao bilionário ecologista excêntrico, Valentine (Samuel L. Jackson), que tem um plano megalomaníaco e maléfico para conquistar o mundo, como todo super vilão que se preze.

Vaughn explicou que acreditava funcionar melhor o fato de Eggsy não ser sobrinho de Hart, para ele. Assim não haveria um legado a cumprir e o comprometimento de Eggsy passa a ser através de interesse próprio, apesar da amizade entre Hart e o rapaz se tornar forte. Ele elevou um pouco o tom cômico da HQ, exagerando nos pontos certo. A Kingsman é incrível, uma mistura da antiga MI6 da época de ouro de Bond com a Escola do Professor Xavier em X-Men. Cercado de uma tecnologia de dar inveja ao atual Bond e gadgets incríveis, como um guarda-chuva que serve tanto como escudo antibala, quanto escopeta.

A escolha de elenco foi perfeita, e por mais que pareça clichê escolher Sir Michael Caine como o chefe de operações da Kingsman, não consigo pensar em ninguém mais perfeito. Colin Firth brilha como o agente durão, incorruptível e de coração mole, Harry Hart/Galahad. Mas surpreende até seus fãs mais fervorosos com as cenas de luta muito bem coreografadas. Aliás, o filme é violento, com cenas gráficas exageradas como em uma HQ mesmo, diminuindo um pouco o impacto (sem dúvida Kick-Ass é bem mais violento), culminando em uma das melhores cenas desse estilo já dirigidas, quando Hart tem que enfrentar uma multidão de fiéis em cólera, dentro de uma igreja. Tarantino ficaria orgulhoso.

Taron Egerton parece bem à vontade ao lado de nomes tão importantes, brilha com facilidade e consegue passar de adorável para agente secreto durão com facilidade. Mas a grande estrela do filme é Samuel L. Jackson, que se destaca em todas as cenas em que aparece. Sua atuação exagerada é uma excelente homenagem aos vilões insanos de todos os filmes de espionagem já existentes. O ator já declarou várias vezes que prefere os papeis com os quais pode se divertir, não há a mínima dúvida que em Kingsman, L. Jackson estava tendo um dos melhores momentos da sua vida. Valentine é um deleite, uma boa surpresa que soube ser mantida mesmo durante os trailers. Ao lado de Jackson, destaca-se Sofia Boutella como Gazelle, a capanga bizarra de Valentine. Afinal, todo grande vilão precisa de um capanga bizarro. Gazelle é linda, esguia, com habilidades de bailarina e lâminas afiadíssimas no lugar das pernas. Na HQ, Gazelle é um homem e aparentemente sem nenhuma característica marcante. A ideia de Vaughn em transforma-lo em uma mulher, com lâminas no lugar das pernas é genial. Boutella, que também é bailarina, acaba sendo o par perfeito para L. Jackson, em um relacionamento puramente platônico, sem nenhuma insinuação sexual entre os dois, onde Gazelle é tão importante quanto o vilão principal. Muitos pontos para Vaughn e Goldman nesse sentido. Sua personagem é durona, forte, sexy e muito inteligente.

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Taron Egerton como Gary “Eggsy” Unwin

 

Apesar de Kingsman ser um filme completamente masculino, as personagens femininas são retratadas de forma forte, além de Gazelle, há Roxy (Sophie Cookson), que também participa do treinamento na Kingsman. Ela se torna amiga de Eggsy e, apesar de alguma insinuação de interesse romântico entre os dois, Roxy sabe que precisa enfrentar todos até o fim para conseguir o que quer. Mas, no fundo, senti falta de uma “Bond Girl” para Hart, afinal seu personagem é sedutor. Talvez tenha sido uma preocupação do filme em não focar nesse aspecto do personagem, porque na HQ, London (Hart no filme) seduz várias mulheres. Não seria nem um pouco ruim ver Colin Firth nesse papel.

Uma grande sacada de Vaughn, em como usar um “personagem convidado” na HQ como personagem do filme, é a participação de Mark Hamill. No quadrinho, Hamill, o ator, é sequestrado pelo vilão e um dos agentes do MI6 tenta salva-lo. No filme, Hamill interpreta o professor James Arnold que é importante para os planos de Valentine.

Todo o figurino do filme apresentado na loja da Kingsman está disponível ao público através do site da Mr Poter, uma marca especializada em ternos e roupas para cavalheiros. Inclusive as canetas, óculos, relógios e o guarda-chuva, claro que todos normais e não com gadgets embutidos (é… eu sei…).

Todos os detalhes de Kingsman, desde seu figurino, passando por seu cenário, todo o cuidado em sua realização, deixam claro o carinho de Vaughn a esse projeto. Mais um grande acerto do diretor que transformou sua homenagem aos filmes antigos de espionagem em um grande presente para seus fãs e aos fãs do filme do gênero. Não há nenhuma dúvida que em alguns anos esse será um cult comentado, visto e revisto por muitos. Os simpáticos Cavalheiros do Rei com muita facilidade conquistarão seu público, que sairá do cinema ávido pelo segundo filme.

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