FILME 156 > RENASCIDA DO INFERNO (2015)

 

Apesar do bom elenco e ótima premissa, o filme acaba sendo frustrante para os fãs dos filmes de terror.

Lazarus1

 

Existe um filme de 1990 chamado “Linha Mortal”, onde estudantes de medicina (entre eles, Kiefer Sutherland, Julia Roberts e Kevin Bacon) “morriam” por alguns segundos, despertando coisas ruins neles. Daí, quando li sobre Renascida do Inferno (The Lazarus Effect, 2015, EUA), fiquei bem empolgada, sua premissa lembrava a do filme de 1990, mas ia um pouco além, misturando ciência e oculto de forma mais explícita. O problema é que minha alta expectativa para ver o filme me deixou um pouco frustrada no fim. Ele tem uma boa premissa, bons atores, personagens muito bem construídos, mas não é um bom filme de terror.

O problema maior desse filme é ter censura 13 anos, porque se sua personagem principal morre e volta possuída, ela precisa ter toda a falta de censura possível para poder matar as pessoas das formas mais cruéis imagináveis. Não, eu não estou sendo sádica, mas se assisto a um filme de terror, que sua premissa principal é essa, espero sangue e violência sim. Não acho que filmes de terror possam ter censura baixa. Entendo que isso acontece para poder abranger um público maior, mas quem sofre são os fãs do gênero, que sabem muito bem o que esperar.

O filme tem um diretor estreante, David Gelb, com boas intenções, um excelente elenco e uma ótima premissa, mas nenhuma liberdade criativa. Assim, a história da Doutora Zoe McConell (Olivia Wilde), que investiga o que acontece com o corpo logo após a morte, ao lado de seu noivo, o Doutor Frank Walton (Mark Duplass). Os dois criaram um soro que tem como pretensão trazer seres mostos de volta a vida e após várias tentativas frustradas, eles conseguem ressuscitar um cachorro. O cão passa a ser monitorado pela equipe do laboratório, formada por Niko (Donald Glover) e Clay (Evan Peters), além da estudante que filma todo o projeto, Eva (Sarah Bolger). Clay percebe que o cão parece estranho e consegue realizar coisas impossíveis. Ao mesmo tempo, todo o projeto se encontra sob ameaça da Universidade e é terminado. Temendo que outro laboratório roube suas ideias, Frank decide fazer o experimento mais uma vez, com um outro cachorro, mas durante a tentativa acontece um acidente com Zoe, que morre. Óbvio que Frank decide trazê-la de volta.

O filme, que dura apenas 83 minutos, perde muito tempo com o prólogo e com todo o drama do laboratório que deverá ser desativado. Quando por fim acontece o evento principal, a morte de Zoe e seu retorno, resta pouco tempo. Há algum suspense nas cenas que se seguem, mas são um pouco frustrantes. O pior é perceber todo o potencial que o filme tem, principalmente ao perceber que o diretor conseguiu de forma bem sutil homenagear vários outros filmes de terror, desde “Cujo” até “Reanimator”.  Além da discussão entrelinhas sobre ciência e religião, já que Zoe é religiosa por causa de um incidente de sua infância. Infelizmente, o filme desenvolve mais as tramas menores, que não são interessantes e não aproveita a trama principal. As mortes são banais e rápidas, mesmo as cenas de possessão são fracas, deixando o fator terror do filme em dúvida. Pelo menos o fim é muito bom, muito bem orquestrado e nem um pouco esperado. Mas não é só de um bom fim que se faz um filme.

Não fica bem claro se a baixa qualidade do filme se deve por causa de pressão externa em cima do diretor, ou se o diretor ainda está muito cru. Em todo caso ele merece uma segunda chance para provar do que é capaz, porque, com certeza essa primeira tentativa foi bem fraca.

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