FILME 155 > CINQUENTA TONS DE CINZA (2015)

fifty-shades

 

Não, não gostei nem um pouco do livro “Cinquenta Tons de Cinza”, escrito por E. L. James, e nem foi por causa da relação entre os protagonistas, mas sim porque achei muito mal escrito, com diálogos sofríveis e situações constrangedoras. A mocinha é muito mal construída e o “herói” é confuso demais. Não sei se a autora realmente acha super bacana um relacionamento daquela forma, se ela pensa como a mocinha, se tem sua “deusa interior” e se um homem tão dominador e chato como aquele faz o estilo dela. Ou se tudo não passa de uma piada que deu certo, virou sucesso e agora ela não pode mais mudar. Porque o livro é, na verdade, uma fanfic de “Crepúsculo”, então tudo é possível. Mas não quero falar sobre o livro, isso a amiga Carolina Pinho já fez em sua resenha pro site Cheiro de Livro (nosso novo parceiro). O que vou comentar é sobre o filme, Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey, EUA, 2015), que chega aos cinemas essa semana, em pleno Valentine’s Day.

A trama, pra quem ainda não conhece, é sobre Anastasia Steele (Dakota Johnson), que precisa entrevistar o famoso bilionário, solteiro, lindo e jovem, Christian Grey (Jamie Dornan), tudo a pedido de sua melhor amiga e roomate, Katherine (Eloise Mumford). A atração entre Grey e Anastasia é imediata e a moça se sente cada vez mais envolvida pelo sedutor bilionário. Porém Grey tem seus próprios termos para que eles tenham uma relação amorosa, em que ele precisa ter o controle de tudo, principalmente sexual. Anastasia, que não tem nenhuma experiência amorosa ou sexual, se vê relutante entre aceitar o estilo de vida de Grey ao mesmo tempo em que se apaixona por ele. E é isso, só isso, nada além disso.

Sim, existem filmes incríveis sobre relacionamentos amorosos e nada mais do que isso. O lance é que Cinquenta Tons, o livro, é muito mal elaborado, lotado de clichês e diálogos que irritam ou são muito engraçados, sem a intenção de ser. Por essa razão, por saber o quão ruim é o livro, que eu gostei de Cinquenta Tons de Cinza, o filme.

Isso mesmo, você leu certo, eu gostei do filme. Vou explicar. Eu fui ver sabendo exatamente do que se tratava a história, toda, com detalhes, por isso o filme me surpreendeu. Eu imaginava que horroroso não seria porque é dirigido por Sam Taylor-Johnson, diretora com uma cinematografia bem interessante e ela fez seu dever de casa muito bem. Pegou um livro cheio de gorduras, situações desnecessárias, personagens inexpressivos e editou muito bem. É notório que Taylor-Johnson e E. L. James tiveram muitos problemas para que o filme fosse realizado, mas ainda bem que a diretora venceu a batalha, porque resultou em um filme clean, bonito, com uma história fraca, sem dúvida, mas bem melhor que a original. Para melhorar totalmente só jogando o livro fora.

O cuidado com a realização do filme é aparente e conta muitos pontos a seu favor, as cenas são muito bem dirigidas, a trilha sonora enriquece os belos cenários e a trilha instrumental, de Danny Elfman, dá o tom certo, lembrando que aquilo é uma besteira que não deve ser levada a sério.

O elenco também ajuda bastante para que o filme seja agradável, Dakota Johnson, filha de Melaine Griffith e Don Johnson, convence como Anastasia Steele. Dakota lembra a mãe em vários momentos em sua atuação, em trejeitos, olhares e até o tom de voz. E é Anastasia a principal mudança no roteiro em relação ao livro. A personagem é bem mais decidida e bem menos desastrada. Ela é submissa, mas sua submissão é bem menos alarmante que a do livro. Ela é uma mulher em dúvida sobre sua escolha, de ceder ou não aos caprichos (sim, porque são caprichos de um homem inseguro) de Grey, ao mesmo tempo em que se apaixona por ele. Ela sabe que está caminhando em um território completamente desconhecido, e que cabe a ela aceitar entrar ou não. Não digo só em relação à como ele quer se relacionar com ela sexualmente, mas também em se envolver com um homem tão controlador. De forma sutil, o filme passa essa dúvida durante seu decorrer de forma coerente, transformando Anastasia numa personagem bem melhor.

Jamie Dornan, da série “The Fall” (Netflix), parece ser a escolha perfeita para Christian Grey. Sedutor só com o olhar, Dornan é boa parte da razão para o filme funcionar, pra mim e talvez para 80% do público feminino que assistir ao filme. E esse é o lance do filme, saber se vender. Isso ele consegue.

Não vou discutir o elefante branco na sala, que é o fato do Grey ser dominador ao ponto psicopático, até porque esse lado dele também foi abrandado no filme. Ele é dominador, mas também é inseguro, muito, e Dornan passa isso em sua atuação.

O ator sabe que no momento em que o filme estrear sua vida vai mudar completamente. Ele já é assediado por seu papel em “The Fall” que, apesar de ser o de um psicopata, já consegue chamar atenção do público feminino. Com certeza na pele de um bilionário refinado e charmoso esse assédio vai aumentar consideravelmente e com razão porque Dornan é o principal ponto atrativo do filme.

E o sexo? O grande chamariz do filme? As tão comentadas e discutidas cenas de sexo. Então… São bacanas, mas não são incríveis e nem quentes. Não são. Há uma boa interação entre os atores, há química sim, apesar de tudo que foi falado, mas talvez tenha faltado mais ousadia da diretora. Não eram necessárias cenas explícitas, claro que não, mas já que se trata da adaptação de um livro erótico, poderia ser um filme mais erótico. Talvez tenha faltado a Taylor-Johnson ver alguns filmes do gênero da década de 80.

Cinquenta Tons de Cinza é uma boa adaptação de um livro ruim, que conseguirá repetir o seu sucesso nos cinemas. Não apenas por agradar aos fãs do livro, também por despertar curiosidade e, principalmente, por ser um bom filme romântico com todos os elementos que o público do gênero curte muito.

3 comentários sobre “FILME 155 > CINQUENTA TONS DE CINZA (2015)

  1. Bah pensamos igual. Não cheguei a ver o filme mas era isso q eu queria saber. Agora vou assistir com outra perspectiva. O livro se não fosse o lado erótico eu diria que seria direcionado para as adolescentes.

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  2. Pingback: Epic Girls #01 – Cinquenta Tons de Cinza | Nível Épico

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