FILME 154 > NEED FOR SPEED (2014)

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Há total coerência na ideia de transformar um game como Tomb Rider, Príncipe da Pérsia ou Assassin’s Creed em filme, mas Need for Speed?! Carros correndo? Já existe a franquia Velozes e Furiosos, que utilizou exaustivamente todos os clichês do gênero. Como não sou muito fã de games, por isso não dei muita bola para o longa. Até descobrir que Aaron Paul (ator principal do filme) havia participado do meu programa favorito sobre carros: Top Gear (claro que o britânico e toda sua loucura), onde ele contou sobre a trama e, principalmente, os carros. Nesse momento tudo mudou de perspectiva pra mim e decidi dar uma chance. O veredito? Nem importa muito se você curte games, o que importa é se você gosta de carros. Clássicos, velozes e capazes de fazer o impossível.

Não é um filme incrível, porque é completamente vazio e previsível, o que não é surpreendente. Mas ele é diversão pura, do tipo que leva de volta à infância vendo filmes à tarde na televisão. Need for Speed (EUA, 2014) conta a história de Tobey Marshall (Aaron Paul), que herdou a oficina do pai e que curte participar de corridas de carros clandestinas. Dino (Dominic Cooper), seu antigo rival, o procura para que ele termine um Shelby Mustang, que deverá ser vendido por 2 milhões de dólares. Com a promessa de ganhar 25% desse valor, Marshall aceita o desafio e termina o carro. Porém, Dino é ambicioso e propõe a Marshall uma última corrida com seus três Koenigsegg Agera, aceitando que Peter (Harrison Gilbertson), amigo de Marshall, também participe. Tudo dá errado, Peter morre durante a corrida, Dino deixa o local e Marshall é preso pela morte do amigo. Dois anos depois, Tobey precisa salvar a oficina de seu pai, que faliu, e vingar a morte de Peter. Com a ajuda de Julia Maddon (Imogen Poots), uma entendida de carros responsável pela compra do Mustang por seu chefe, Marshall consegue a máquina de volta e decide cruzar o país para participar da famosa e perigosa corrida De Leon, organizada por um milionário excêntrico, DJ Monarch (Michael Keeton). Porém a corrida acontece em algum lugar secreto na Califórnia e para poder participar, Marshall e sua equipe precisam chamar a atenção de Monarch.

O primeiro trunfo desse filme, que ajuda que ele funcione, é seu elenco. Aaron Paul passou 6 anos de sua vida atuando como o bad boy mal compreendido que tenta se redimir, na maravilhosa série Breaking Bad. Apesar de seu talento merecer um papel melhor em um filme mais consistente, talvez tenha sido uma boa escolha atuar em uma produção leve e despretensiosa antes de mostrar todo seu potencial. Seu carisma é suficiente para não se deixar levar pelo clichê de seu personagem. Michael Keaton aparece muito pouco, mas diverte o público. Dominic Cooper é o vilão canastrão perfeito. Imogen Poots e seu fofo sotaque britânico formam a mocinha durona, fácil de gostar, além de Scott Mescudi (o rapper Kid Cudi), que é o exato aliado engraçado para o mocinho anti-herói.

Mas as grandes estrelas do filme são os carros. O maravilhoso Shelby Mustang de Marshall, foi criado especialmente para o filme, que também faz um preview do Ford Mustang GT 2015. (passei o filme inteiro pensando na grana que a Mustang deve ter colocado nele). Os três belíssimos Koenigsegg Agera de Dino, carro escolhido como o Hipercarro de 2010 pela revista Top Gear. Um Lamborghini Sesto Elemento, uma Mercedes McLaren P1 e muitos outros carros incríveis, dignos de uma produção desse porte.

Além dos carros, chamou minha atenção as referências a filmes clássicos de perseguições de carros, muito populares nas décadas de 60 e 70, principalmente os estrelados por Steve McQueen. Em uma cena num drive-in, Bullitt está passando no telão. Marshall conversa com seus amigos com McQueen de fundo, principal inspiração do ator para compor seu personagem, o que não poderia ser diferente já que ambos personagens dirigem o mesmo carro. Para dar mais realismo, não há grandes efeitos especiais ou CGI nas cenas de velocidade, todas foram realizadas em tempo real, com dublês ou até mesmo com o próprio Paul no volante, uma das vantagens de se ter um diretor ex-dublê por trás das câmeras.

Scott Waug soube muito bem homenagear os clássico do gênero, principalmente ao usar a câmera boa parte do tempo dentro do carro, o que torna a experiência ainda mais divertida para o público. Toda a estética do filme também brinca com a moda e estilo dos anos 70. O bom humor e referências pop mais recentes também aparecem, principalmente com o personagem de Mescudi, um exímio piloto que insiste que seus amigos o chamem de “Maverick”, nome do personagem de Tom Cruise em Top Gun. Fora as milhões de referências a James Dean, desde as roupas até o estilo de vida, “viver rápido e morrer jovem”.

Os fãs do game não sairão desapontados do cinema. Porque além de reconhecerem vários detalhes do jogo no filme, como o nome da corrida, “De Leon”, referência ao personagem principal de Need for Speed: The Run, Cesar DeLeon, e notar que o painel do Mustang de Marshall é exatamente o mesmo do jogo; também ficarão felizes em descobrir que podem jogar com os mesmos carros do filme, no novo jogo: Need for Speed Rivals. Pelo site oficial do game é possível dirigir o Ford Mustang 2015, baixar um Lamborghini Sesto Elemento ou um Mercedes-Benz McLaren SLR 722, que participam da De Leon, o GTA Spano da polícia, que também aparece na corrida, e baixar de graça o belíssimo Koenigsegg Agera One, de Dino.

No fim, Need for Speed é isso, um filme muito divertido, sobre corridas de carros, perseguições loucas e máquinas inacreditáveis que quase voam. Um homenagem deliciosa aos filmes do gênero que apenas nos convida a colocar o cinto, soltar o freio e aproveitar a viagem.

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