FILME 148 > FRANCES HA (2012)

frances_ha_foto

Vamos conversar um pouco sobre o filme mais comentado do mês passado, Frances Ha (EUA,2012), que chamou atenção quando foi apresentado no Festival de Telluride (uma cidade no Colorado) no ano passado, mas ganhou o mundo após sua passagem pelo Festival de Toronto. Essa é uma dessas produções que conquistam pelo boca a boca. Alguém ouviu dizer que o filme foi muito bem visto e recebido no circuito independente nos EUA, decide saber se realmente vale a pena, daí um por um resolve ver por si e descobre que sim, Frances Ha é adorável como sua personagem central.

Acho que o que conquista nesse filme não é por lembrar Jim Jarmush ou por ser um típico representante do cenário indie atual, ao mostrar a geração de vinte e poucos anos tentando lidar com a nova situação econômica e ainda assim viver seus sonhos. Geração essa que já vinha sendo muito bem representada pela diretora e atriz, Lena Dunham, e que agora encontrou sua musa: Greta Gerwig, razão pela qual Frances Ha está conquistando público e crítica por onde passa.

O diretor Noah Baumbach, o mesmo responsável por filmes como “A Lula e a Baleia”, “Margot e o Casamento” e o “Solteirão”, mostra mais uma vez sua sensibilidade em falar sobre pessoas simples de forma bem natural. Ele mostra o quão a vida cotidiana pode ser complexa, através de personagens carismáticos. Talvez Frances Haliday seja o mais carismático de todos, com sua leveza, jeito de menina e maneira sonhadora de viver. Ela é a heroína perfeita para a geração atual, que está perdida, sem saber muito bem qual é o seu papel na nova ordem mundial.

Dançarina contemporânea, Frances não aceita que precisa mudar sua forma de encarar a vida para poder sobreviver, por isso mesmo passa por muitos apartamentos, muda sua vida bruscamente, até quase chegar ao fundo do poço, para perceber que precisa encarar a realidade e amadurecer. O mais claro em Frances é isso, ela se recusa a amadurecer. Grande parte de sua vida ela acredita que conseguirá resolver com a ajuda de alguém, sempre dependendo de outro para conseguir seguir em frente.

A Nova York de Frances Ha é bucólica, longe de Manhattan e recheada de artistas do Brooklyn. Nesse sentido é clara a inspiração na Nova York de Jim Jamursh, no filme de Baumbach. Ele mesmo um filho da cidade, criado por pais literários, que aprendeu dessa forma a captar a essência humana mais simples e transmitir em seus filmes.

Mas o enorme trunfo da produção é sua protagonista. De uma beleza nem um pouco óbvia, Greta Gerwig empresta seu charme e sua forma moleca de ser para a personagem, que conquista o público com muita facilidade. Frances não é vaidosa, assim como Gerwig não é. Atriz e personagem se misturam com tamanha facilidade, que é difícil saber o que é atuação e o que é a verdadeira personalidade da atriz. Gerwig não liga para a fama repentina que ganhou com o filme, apenas quer continuar atuando e vivendo sua vida. Provavelmente Frances seria da mesma opinião se um dia fosse famosa.

Frances Ha é mais um desses filmes intimistas, sobre personagens que poderiam ser seus amigos, com diálogos tão naturais, que fazem você ter vontade de responder ou dar palpite sobre o que está ocorrendo. Com certeza merece todo o hype que está gerando, por ser exatamente isso, imperdível.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s