FILME 146 > O CAVALEIRO SOLITÁRIO (2013)

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Por Raphaela Ximenes

16/07/2013

Cresci com a minha mãe contando que durante sua infância, ela ia todo fim de semana acompanhar as aventuras do Cavaleiro Solitário, montado em seu cavalo Silver e ao lado do índio Tonto. Nessa época os “episódios” eram exibidos no cinema, na matinê. Por problemas na tradução, o Lone Ranger ficou conhecido como Zorro, até entenderem a diferença entre os dois personagens. Um era um “ranger”, espécie de xerife do Texas, o outro um vingador mascarado que lutava pela justiça na Califórnia ocupada pelo espanhóis.

Mas voltando ao Cavaleiro Solitário, ele surgiu na década de 30 como personagem de rádio, depois ganhou o cinema, em uma série de filmes que foram realizados entre 1949 a 1957. Por fim virou HQ em 1938. Em 2003 a Warner tentou resgatar o personagem com um filme para televisão que seria o prelúdio para uma série, mas não deu certo. Agora, o diretor Gore Verbinski (o mesmo da série “Piratas do Caribe”), lança sua versão para o cinema, com direito a Johnny Depp no elenco. O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, EUA, 2013), tem o ator Armie Hammer no papel título, e uma trama bem complexa.

Tonto (Depp), vive como índio em um diorama em tamanho real, sobre a vida no Velho Oeste, na década de 30 em São Francisco. Visitado por um menino vestido de cavaleiro solitário, ele revive suas lembranças da época e conta toda a história da famosa dupla para seu pequeno espectador. Em 1869, John Reid é uma advogado que está voltando para sua pequena cidade no interior do Texas. No mesmo trem em que viaja, estão um índio (Tonto) e um perigoso fora da lei, que será entregue a Dan Reid, xerife da cidade e irmão de John. Porém, Butch Cavendish, o ciminoso, foge. Dan reúne seus rangers para recuperar Cavendish e seu bando, com a ajuda de John. Mas são pegos em um emboscada, onde John é salvo por Tonto. Juntos eles decidem se vingar de Cavendish, que também é o responsável pela aniquilação da tribo de Tonto. Reid passa a usar uma máscara negra para proteger sua identidade fica conhecido como o Cavaleiro Solitário, já que é único ranger sobrevivente daquela região.

O primeiro problema de Verbinski é que ele levou 2 horas e meia para contar toda a trama de seu filme. Um filme de velho oeste nos moldes antigos, deve ser divertido e rápido. Sempre extremamente maniqueísta, porque naquela época se dividia o mundo entre mocinhos e bandidos. Aí o diretor caí em seu segundo erro, o de tentar incluir tons de cinza numa história que tem apenas branco e preto. Ao contar a história pelo ponto de vista de Tonto, ele tenta criar uma trama politicamente correta com o índio como um herói também. Mas, desde sempre os comanches estiveram ao lado de Reid, e Tonto sempre foi mais esperto, não precisa tocar nessa tecla o filme inteiro. Outro erro é a necessidade extrema de reviravoltas no roteiro, criando momentos tediosos, que demoram muito desenvolvendo tramas e explicando personagens.

Por outro lado, o filme consegue passar em bons momentos, a dinâmica entre Tonto e Reid, mas Depp parece ter se acostumado demais a personagens exóticos e às vezes beira a caricatura. Entendo que ele quer construir um Tonto bem característico daquele retratado na década de 30, mas nem sempre as piadas funcionam.

O único ponto positivo do filme é conseguir divertir no fim, o que nos deixa com pena. Porque os 30 minutos finais são geniais, com Tonto e Reid perseguindo os vilões em dois trens em alta velocidade (pra época), enquanto precisam também salvar a mocinha. O cavaleiro solitário montando em seu cavalo branco, Silver, cavalgando o teto do trem é emocionante, principalmente porque o compositor Hans Zimmer mostra seu talento ao embalar toda a cena com o tem principal de “The Lone Ranger”. Trens descarrilhados, tiros, vilões sem escrúpulos, heróis atrapalhados e até uma enorme ponte sendo explodida, salvam o filme. Que poderia ser tão bom desde o início. Pelo menos nesses 30 minutos, entendi o que minha mãe quis dizer.

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