FILME 141 > A MORTE DO DEMÔNIO (2013)

EvilDead_poster

Por Raphaela Ximenes

Por muitos anos, para toda uma geração, esse título era sinônimo de medo, por ter sido um dos filmes de terror que mais aterrorizaram todos que foram ao cinema, no início da década de 1980, assisti-lo. Muitos afirmavam que as cenas de possessão, tão gráficas, combinadas com cenas de pura violência, faziam daquele um filme de terror acima das expectativas. Genialmente realizado pelo diretor Sam Raimi, que na época contava com pouquíssimo dinheiro e muita boa vontade dos amigos, ele conseguiu transformar seu filme B em uma obra prima do medo, um marco dos filmes de terror da época.

Hoje em dia, Sam Raimi é um diretor conceituado, que esteve por trás da franquia Homem-Aranha e, recentemente, realizou um tipo de prequel para o “Mágico de Oz”, o filme “Oz, Mágico e Poderoso”, um passeio pela fantástica terra de Oz sob seu olhar. Mas Raimi nunca deixou de lado suas raízes, o que mostrou com “Arraste-me Para o Inferno” (de 2009). Agora Raimi traz de volta sua obra prima, A Morte do Demônio (Evil Dead, EUA, 2013), só que dessa vez deixa a direção na mão do diretor uruguaio, Fede Alvarez, e cuida (muito bem) da produção ao lado de seu inseparável amigo Bruce Campbell. Dessa vez com um orçamento bem melhor que o anterior, Fede e Raimi podem ousar mais, sem deixar de lado a veia gore, com muito sangue e membros cortados.

Nessa nova versão, um grupo de jovens vai para uma cabana no meio do mato para ajudar a amiga, Mia (Jane Levy), a se desintoxicar. Olivia (Jessica Lucas) é enfermeira e quem teve a ideia, ela explica a todos que a moça irá fazer de tudo para fugir, mas que eles devem ser duros com ela, para seu próprio bem. Mia começa a ter sintomas de abstinência e reclama de um cheiro muito forte dentro da cabana, até que o cachorro de seu irmão, David (Shiloh Fernandez) encontra um alçapão no chão, que leva a um porão cheio de gatos mortos pendurados no teto, razão do cheiro forte. Lá também havia algumas ferramentas estranhas e um livro fechado com arame. Eric (Lou Taylor Pucci), um professor, não resiste em saber do que se trata aquele livro lacrado e o abre. Trata-se do Naturom Demonto (livro dos mortos), que tem o poder de liberar uma entidade demoníaca poderosa e muito antiga, que está presa ali naquela floresta. A partir do momento que Eric lê as palavras do livro, o demônio é solto e começa a possuir um a um dos amigos, levando-os a morte. A primeira é Mia, que precisa convencer seus amigos que não está com uma forte crise de abstinência e sim que foi possuída e precisa fugir dali. Ninguém acredita na moça, que deve, então, lutar por sua sobrevivência.

Ao contrário da primeira versão, que não tinha uma razão muito específica para levar os jovens aquela cabana, nessa segunda há um motivo que dá um tom dramático à trama em contraste ao excesso de humor e sensualidade do primeiro. Tirando essa diferença, que apenas ajuda a enriquecer um pouco a trama (que tem roteiro assinado pelo próprio Alvarez com o auxílio da ótima Diablo Cody), esse novo A Morte do Demônio volta a redefinir o que significa um filme de terror: sangue, cenas grotescas e nenhum medo de ousar. Ultimamente poucas produções entendem a diferença entre suspense e terror, apenas sugerir o que aconteceu não é o mesmo que mostrar. Felizmente, perceberam que Alvarez era o homem certo para tal função, principalmente, após verem do que ele é capaz, ao assistirem seus dois curtas, “El Cojonudo” (2005) e o excelente “Ataque de Pânico!” (2009) – ambos disponíveis no Youtube. Ali está claro que Alvarez tem o mesmo espírito criativo do Raimi de 1981.

Em seu primeiro longa-metragem, Alvarez deixa sua marca, sem dúvida, mas Raimi está presente o tempo todo, principalmente, quando são recriados momentos clássicos do original, todo o sangue que jorra na tela, além de citações através de objetos deixados aqui e ali. É verdade que Raimi está por trás de todos os passos dessa produção, mas ainda assim não há como não entender esse remake como uma bela homenagem ao clássico de 1981, que ainda ganha um rápido mashup com a continuação “Uma Noite Alucinante” (de 1987).

A Morte do Demônio é exatamente isso, muito mais do que uma refilmagem, ele cria uma nova mitologia em cima da existente, sem deixar para trás grandes momentos do filme antigo, como a possessão da mocinha, as mortes extremamente gráficas e a serra elétrica!  Por tudo isso e por seu elenco de jovens talentos, principalmente Jane Levy, que já brilhava na série “Suburgatory”, e mostra que está à altura de Bruce Campbell, uma versão feminina de  Ash (icônico personagem de Bruce Campbell, que é o protagonista da primeira versão), o filme é uma prova que o bom cinema de terror está vivo, ou, melhor, revive, para ficar dentro do tema. Fãs de Raimi vão se deliciar! Ah e não deixem de conferir a surpresa ao fim dos créditos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s