FILME 135 > OS MISERÁVEIS (2012)

LesMiz

Por Raphaela Ximenes

*Les Misérables é um musical baseado no livro homônimo de Victor Hugo, montado pela primeira vez na França, na metade da década de 80 e depois adaptado para a língua inglesa, quando ganhou a Broadway, em 1987. Para muitos, o emblemático livro de Hugo, sobre um período conturbado da História da França que entrelaça personagens em uma mesma trama, parecia improvável funcionar como musical, mas Les Miz (como ficou conhecido entre seus fãs) fez um enorme sucesso e agora ganha as telas dos cinemas.

Os Miseráveis (Les Misérables, EUA, 2012) é uma super produção dirigida por Tom Hooper, o mesmo responsável por O Discurso do Rei, que transformou o musical em um épico histórico, de uma grandiosidade própria ao romance de Hugo. Um musical no sentido mais literal da palavra, já que em momento algum há qualquer diálogo que não seja cantado. O filme é centrado na vida de Jean Valjean (Hugh Jackman), um prisioneiro que recebe liberdade condicional, mas em forma de uma carta que o marca para sempre como ex-condenado. Por causa de seu passado, ele não consegue emprego e dorme na rua, precisando mendigar por comida. Ao ser pego por roubar uma igreja, Valjean recebe o perdão do padre que acolheu e vê nisso uma segunda chance. Ele muda de nome e rasga sua carta, tornando-se depois um homem rico e misericordioso. Dono de uma fábrica, onde trabalha Fantine (Anne Hathaway), Valjean não vê quando seu capataz a despede. A moça precisa de dinheiro para enviar para sua filha pequena, sem esperança de conseguir outro emprego, Fantine passa a se prostituir, e vai se destruindo aos poucos. Ao perceber que é o responsável pelo destino de Fantine, que morre doente e miserável, Valjean vai atrás de sua filha e a acolhe, criando a moça como sua filha. Sempre fugindo de Jarvet (Russell Crowe), policial que sabe a verdade sobre seu passado, o ex-condenado acaba em Paris, na época da Revolta de 1832. Lá ele descobre que o jovem Marius (Eddie Redmayne) se apaixonou por Cosette (Amanda Seyfried), sua filha adotiva, e decide ajudar os jovens rebeldes. Essa é a ideia geral de uma história repleta de reviravoltas e momentos inesquecíveis. Ao contrário do livro, que dedica um volume a cada personagem, o musical segue a linha de Jean Valjean, o ex-condenado misericordioso, que apenas deseja absolvição.

Hooper constrói seu filme mesclando muito bem a dramaticidade do livro com a grandiosidade do musical, dando a ênfase certa às canções mais icônicas. Em sua versão, Hugh Jackman brilha sem esforço por conta de seu passado atuando em musicais, sendo nítida sua intimidade com o estilo. Mas é Anne Hathaway quem rouba a cena como a trágica Fantine: sua interpretação de I Dreamed a Dream é, sem dúvida alguma, o ponto alto do filme; o momento em que percebemos Hathaway amadureceu e firmou-se em sua carreira, pelo peso que consegue dar ao papel sem exageros. Mesmo que sua presença no filme seja curta, ela prova porque é considerada uma das grandes atrizes de atual geração.

Russell Crowe não canta, é fato, mas sua brutalidade natural combina com seu personagem, Jarvet, um policial que tem um passado sofrido. O estilo rústico de Crowe é o inverso perfeito para o personagem de Jackman, um homem bem mais refinado. Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter dão um ar mais cômico ao filme, como os donos da estalagem que ficam responsáveis pela pequena Cosette. Amanda Seyfried e Eddie Redmayne estão corretinhos no filme, como o casal fofo e sem sal, Cosette e Marius. Nada que prejudique o filme, porque o “elenco jovem” ganha toda a força de que precisa com a presença de Samantha Barks, que interpreta Éponine, uma revolucionária apaixonada por Marius. Barks faz sua estreia nas telas já em grande estilo, chamando atenção para si com sua interpretação deOn My Own. A cantora britânica foi descoberta em um programa de talentos da BBC inglesa e participou da montagem de 25 anos de Les Miz. Assim como Hathaway, a presença de Barks na telona é rápida, porém marcante. A jovem estrela consegue sobressair e apagar até Amanda Seyfried, que já tem mais anos de estrada.

Por fim, o pequeno Daniel Huttlestone merece uma linha só sua, por construir com primor seu Gavroche, o pequenino revolucionário, fio condutor dessa parte da história e que se torna emblema da revolução.

O grande trunfo de Os Miseráveis, não é apenas o elenco muito bem escolhido e orquestrado. Cenas magistrais pontuam cada momento, com uma direção de arte belíssima e linha narrativa muito bem montada, que torna o filme agradável até para aqueles que odeiam musicais. Definitivamente, ao fim do filme, fica muito claro porque ele está cotado como um dos melhores do ano, por conseguir ultrapassar a barreira dos filmes musicais para se firmar como uma bela obra de arte.

 

*Crítica publicada no site NÍVEL ÉPICO, no dia 31/01/2013

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