FILME 134 > LINCOLN (2012)

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Por Raphaela Ximenes

*O ponto principal do filme Lincoln (EUA, 2012) é a luta do presidente, Abraham Lincoln, por fazer com que a 13ª emenda fosse aprovada. Isso aconteceu em 1865, na segunda metade do Século 19, o que, historicamente, é quase ontem. Um pouco mais de um século passou desde então, e hoje, os EUA assistem um presidente negro começar seu segundo mandato — sem dúvida nenhuma uma bela evolução histórica.

Mas, o filme não é centrado apenas na luta contra a escravidão, questão que Lincoln nem discute, porque ele simplesmente não acredita que qualquer ser humano deva ser escravo. O décimo sexto presidente dos EUA governa durante uma terrível Guerra Civil, que divide um país em crise financeira, com milhares de mortes nas costas. Curiosamente, apesar do momento terrível que o país enfrenta, toda a pobreza, a corrupção e a tentativa de se afirmar como uma nação independente, o filme transmite a calma e magnitude de Lincoln. Um homem a frente de seu tempo, que se “construiu” sozinho, sem estudo, vindo de uma família muito pobre sulista, que tornou-se um grande advogado e um dos presidentes mais carismáticos que o país já teve.

Steven Spielberg, diretor por trás de Lincoln, traduz o sentimento de esperança que movia a todos naquele momento. A esperança de ser livre, do fim da guerra e de ter um país forte e unificado. Característica comum nos filmes de Spielberg, que surpreende um pouco, por conseguir se conter ao realizar um filme mais intimista.

A produção de Spielberg, foca no momento em que Lincoln se encontra quase no fim de seu segundo mandato, um presidente republicano abolicionista, que pretende usar o fim da Guerra Civil como pretexto para aprovar uma das emendas mais famosas da Constituição norte-americana, a Décima Terceira Emenda, que torna a escravidão e o trabalho forçado proibidos por lei. O presidente já havia usado seu poder de guerra para emancipar milhares de escravos em dez estados norte-americanos, mas sua decisão não abolia a escravidão em todo o território, por isso a importância da Emenda. O filme mostra grande parte da luta de Lincoln e seus aliados para conseguir ter sucesso, seu relacionamento com sua família, sem aprofundar em questões dramáticas, como a morte de seu primeiro filho ou o fato do filho do meio largar a faculdade para tornar-se soldado.

O Lincoln de Spielberg é humano, simples, que gosta de estar próximo do povo e que trata a todos da mesma forma. Discute questões pequenas e particulares com a mesma importância em que toma decisões sobre seu país, ao mesmo tempo, que não hesita em apoiar o que acredita. Interpretado por Daniel Day-Lewis, o ator despe-se de sua prepotência tão característica para construir um personagem simples, comum, porém magnânimo.

Sem dúvida alguma, esse é um filme feito para Day-Lewis brilhar, mas Tomy Lee Jones, que interpreta o abolicionista Thaddeus Steven, líder da facção Radical do Partido Republicano, consegue roubar a cena. Em cada diálogo, cada momento, Lee Jones brilha muito mais. James Spader, como W. N. Bilbo, um lobista republicano, David Strathaim, como o Secretário de Estado, William Seward, e Lee Pace (ator em quem eu aposto muito) como Fernando Wood, prefeito de Nova York, representante do Partido Democrático, além de fervoroso opositor a Décima terceira Emenda, também ganham destaque no filme com suas atuações primorosas.

Aqueles que esperam um filme grandioso, quase épico, com cenas de batalhas, tomadas de belas paisagens e momentos imbuídos de clichês, irá se espantar de forma positiva com um Spielberg completamente intimista. Fechado em um filme extremamente autoral, que prioriza as atuações, a importância dos momentos, resultando em um grande filme histórico, sem pieguices. Abraham Lincoln foi um grande homem, de importância incalculável, dessas personalidades que surgem para mostrar do que um simples homem é capaz. Características explicitadas em Lincoln, mas de uma forma sutil, muito bem orquestrada, o que prova que Spielberg ainda consegue surpreender.

 

 

*Crítica publicada no site NÍVEL ÉPICO, no dia 24/01/2013

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