FILME 132 > LIFE OF PI (2012)

Pi

 

Por Raphaela Ximenes

Já que o assunto é Oscar e afins, aproveito para republicar, também, minha crítica sobre AS AVENTURAS DE PI. Essa crítica foi publicada no site NÍVEL ÉPICO, dia 21/12/2012:

O que primeiro chama atenção para o filme As Aventuras de Pi (Life of Pi, EUA, 2012) é o fato de que o livro no qual ele foi baseado participou de uma polêmica. Após ganhar muitos prêmios em todo o mundo, descobriu-se que o escritor Yann Martel inspirou-se em Max e os Felinos de Moacyr Scliar. O livro de Scliar fala sobre um sobrevivente do Holocausto que passa dias no mar em um barco com um jaguar, o de Martel conta a história de Pi, um rapaz que sobreviveu a um naufrágio e passa 227 dias em alto mar em um barco com um tigre.

A primeira vista, parece que Martel praticamente plagiou a obra de Scliar. Um olhar mais profundo deixa claro que a alegoria de Scliar sobre nazismo e sobrevivência realmente foi só uma inspiração para Martel falar sobre amadurecimento e espiritualidade. Enfim, o que importa e o que deve ser o foco aqui, é que o filme baseado no livro de Martel, é uma obra-prima.

Dirigido por Ang Lee, o que foi vendido como um filme longo, sobre um rapaz dentro de um barco com um tigre por muitos e muitos dias, que resulta em uma longa discussão sobre a vida, Deus e espiritualidade, na verdade, é uma história emocionante sobre superação, amadurecimento e sim, espiritualidade, mas de uma forma interessante.

Pi é Piscine Molitor Pattel (Irrfhan Khan quando adulto e Suraj Sharma quando adolescente). Ele tem esse nome por causa de seu tio, um grande nadador que viaja pelo mundo conhecendo as melhores piscinas. Adulto, Pi vive no Canadá quando decide contar sua história para um escritor que o procura. Desde sua infância e adolescência, na Índia, onde morava com sua família em um zoológico. Seu pai era um homem racional, preocupado com o futuro dos filhos de forma prática. A mãe procurava ensinar sobre a religião hindu para os filhos. Dessa forma, Pi aprendeu a ser prático quando necessário, principalmente para sobreviver na escola com um nome tão incomum, ao mesmo tempo que sempre foi aberto a outras crenças, passando a ser hindu, católico e muçulmano. Infelizmente, uma crise econômica forçou seu pai a se mudar para o Canadá, porém a viagem teve de ser feita de navio para que os animais do zoológico pudessem ir também. Numa noite acontece um terrível naufrágio, no qual apenas Pi, um tigre chamado Richard Parker, uma zebra, uma hiena e um orangotango, se salvam dentro de um bote salva-vidas. Por fim, restam apenas Pi e Richard Parker no bote, o que leva Pi a procurar forças que ele não sabia que tinha para sobreviver.

O que mais surpreende em As Aventuras de Pi é o bom humor com que o rapaz leva a vida, observando e absorvendo tudo a sua volta. Não é a toa que ele se dedica a religião hindu, assim como passa a se interessar pelo catolicismo e termina em uma mesquita aprendendo sobre a religião muçulmana. Pode parecer um esforço forçado do autor em mostrar que todas as religiões levam a um mesmo caminho, mas não, a mensagem de Martel é bem sútil. Porque, na verdade, sua história tem como foco principal a força de vontade de Pi em superar tudo, desde as piadas dos colegas da escola por causa de seu nome, passando pelo pai repressor, até chegar ao ponto de tensão maior, que foi ficar 227 dias a deriva em um barco com um tigre faminto.

Mas, o grande merecedor de louvores pelo filme é Ang Lee, que além de ter realizado um filme belo, consegue falar de um assunto complexo através da simplicidade do personagem, como grande parte de seus filmes. Lirismo é o adjetivo que melhor define essa produção, que consegue tocar até o mais cético. Outro grande trunfo de Lee é a utilização do 3D como parte do filme e não apenas um recurso técnico. Incrível como um filme que acontece mais do que metade do tempo em alto mar consegue prender atenção pelo suspense, assim como pelo cenário que ganha realismo e profundidade inacreditáveis. Além de Richard Parker, o tigre, ser completamente criado por computador.

As Aventuras de Pi consegue levar consigo o público para dentro de cada camada emocional do personagem sem perder o ritmo, sem usar clichês, e de forma envolvente por causa de sua linha condutora, que culmina em um fim emocionante.

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