FILME 131 > ARGO (2012)

Argo_poster

Por Raphaela Ximenes

Aproveitando a temporada de premiações e o fato de ARGO ganhar os Golden Globes de Melhor Filme e Melhor Diretor, publico aqui minha crítica sobre o filme, que escrevi na época do Festival do Rio 2012:

Normalmente, filmes baseados em histórias reais acabam ganhando um colorido a mais para agradar ao público e tornar a produção interessante. Mas, se a história for extremamente interessante, recheada de situações inusitadas, que mistura a CIA, um incidente diplomático no Irã e uma produção hollywoodiana falsa? O que acontece é um filme sobre um incidente político, que consegue prender a atenção de fãs de suspense, ação e filmes políticos.

Dirigido por Ben Affleck, que vem construindo uma ótima carreira como diretor, Argo (EUA, 2012), é um filme inusitado para aqueles que esperam apenas um drama sobre um grupo de diplomatas impedidos de sair do Irã, no início da década de 1980.

Tudo começa como um drama político, com uma ambientação perfeita e um plano sequência inicial de tirar o folêgo. Um grupo de estudantes, que protestava na frente da embaixada norte-americana em Teerã, decide invadi-la e transformar as pessoas, que ali trabalham, em reféns. Desse grupo de diplomatas, seis conseguem fugir e pedem asilo a embaixada canadense, que se mantém neutra dentro de toda a confusão entre os EUA e o Oriente Médio.

Para tirar esses seis fugitivos do Irã, sem que sejam reconhecidos, é acionado o especialista em extração de reféns, Tony Mendez (Affleck). Após várias ideias e tentativas de encontrar o modo mais seguro de levar os reféns de volta aos EUA, Mendez sugere a CIA a criação de um filme falso, que precise usar as paisagens do Irã como locação. Duvidando que o plano funcione, o Governo norte-americano dá poucos dias para o agente desenvolver seu plano e provar que é possível.

Mendez entra em contato com o maquiador John Chambers (John Goodman) e o explica sobre seu plano, que deve ser executado de forma que todos acreditem que um filme será realizado e filmado no Irã. Chambers envolve o produtor executivo, Lester Siegel (Alan Arkin), para aumentar a credibilidade sobre a produção. A partir desse momento, Mendez, Chambers e Siegel buscam o roteiro ideal que encaixe no contexto que eles precisam, quando descobrem “Argo”, uma ficção científica de péssimo gosto, sem nenhuma possibildade de dar certo, mas que acaba famosa por ser a peça principal no plano de resgate de Mendez.

Equilibrando o drama dos refugiados, que estão escondidos na Embaixada Canadense, sem ideia de como ou se irão conseguir escapar, a execução do louco plano de Mendez, Argo prende atenção por seu suspense crescente, excelentes atuações. Desde Goodman, passando por Bryan Cranston, que interpreta o chefe direto de Mendez, o qual encontra-se dividido entre apostar no agente ou acatar as decisões da Casa Branca, chegando no próprio Affleck que acerta ao optar por uma atuação contida, que encaixa com perfeição ao personagem.

Sem se perder no contexto histórico, Argo é um filme muito bem conduzido, com algumas poucas falhas que não tiram seu brilhantismo. Uma produção madura, bem orquestrada, de um diretor que se afirma, ao definir melhor seu estilo a cada obra que realiza.

 

*crítica publicada no dia 02/10/2012 no site Almanaque Virtual

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