FILME 130 > OS INFRATORES (2012)

lawlessPor Raphaela Ximenes

Eu andei sumida do blog, mas não deixei de escrever sobre os bons filmes que vi esse ano. Daí, como alguns filmes merecem destaque, decidi fazer uma pequena retrospectiva deles, repostando algumas críticas aqui.

O que escolhi para hoje foi OS INFRATORES, baseado em uma história real, com roteiro adaptado por Nick Cave e ótima direção de John Hillcoat (de A Estrada).

Outra novidade, é que acredito ter perdido o sentido continuar escrevendo no título em qual dia estou, já que me perdi durante o ano. A partir de hoje nomeio os títulos como FILME nº tal, ok?

A crítica a seguir foi publicada no site NÍVEL ÉPICO, em 19/10/2012:

 

Proibições extremas, como a Lei Seca nos EUA, geram um mercado clandestino. Dali nasceu a era dos gângsters e um dos períodos mais violentos da História norte-americana. Em 1929, com a queda da bolsa, muitos perderam tudo o que tinham e precisaram se virar como podiam. Fazendeiros e comerciantes pacatos passaram a produzir bebida alcoólica para sobreviver e ganhar dinheiro. Esse é o cenário onde acontece a trama de OS INFRATORES (Lawless, EUA, 2012), que conta a história verdadeira dos irmãos Bondurant.

Baseado no livro The Wettest County in the World de Matt Bondurant, neto de um dos personagens principais, o filme foge um pouco dos padrões do gênero para mostrar a realidade daqueles que vivam fora da lei porque precisavam sobreviver. No condado de Franklin, Virginia, Jack Bondurant (Shia LaBeouf) e seus irmãos, Forrest (Tom Hardy) e Howard (Jason Clarke), são donos de um bar que na verdade serve de fachada para venda e fabricação ilegal de bebidas alcoólicas. Como grande parte do condado vive dessa forma, a polícia faz vista grossa e ganha dinheiro desses pequenos produtores. Sob “proteção” do gângster Floyd Banner (Gary Oldman), todos na área vivem em relativa paz, até que o delegado especial Charlie Rakes (Guy Pearce) é enviado para o condado para resolver o problema da venda proibida. Corrupto, violento e sem um pingo de escrúpulo, o delegado especial começa uma guerra pessoal com os irmãos Bondurant, que tem fama de serem invencíveis.

OS INFRATORES conquista o público com facilidade por sua narrativa crescente, construída a partir do ótimo roteiro de Nick Cave, que também assina a trilha sonora. Apesar de ser baseado em um livro, Cave consegue deixar sua assinatura e mostrar seu talento na trama. A direção de John Hillcoat (o mesmo do excelente A Estrada, de 2009) é primorosa. Ele traduz a situação dos irmãos Bondurant através de imagens, mesclando as belas paisagens da Virginia a cenas violentas de muita densidade. Cave e Hillcoat realizam um filme de gângster sem sê-lo. Tirando o personagem de Oldman, todos os outros que surgem na tela são pessoas presas a uma realidade nova, na qual devem sobreviver. A mística criada em cima dos irmãos, o vilão caricato, porém perfeito, as duas mocinhas e todos os habitantes do pequeno condado, são elementos que dão mais um colorido a um filme que prende a atenção e o fôlego do início ao fim.

Atuações marcantes também se destacam. Shia LaBeouf, cresce e amadurece a cada filme, principalmente como protagonista, se destacando em um mar de boas atuações. Tom Hardy, mais uma vez sobressai em um papel forte e violento. Há ainda o enorme talento de Guy Pearce, que entrou no papel com tanta dedicação que mudou sua aparência física para ficar tão repugnante quanto seu personagem. As participações femininas não ficam atrás. Jessica Chastain, que interpreta Maggie, uma dançarina que foge da violência de Chicago, consegue equilibrar sua beleza, quase angelical, a um personagem forte com um passado duro. A adorável Mia Wasikowska se encaixa com perfeição a delicada Bertha, filha do pastor da cidade, e interesse amoroso de Jack.

OS INFRATORES é um filme de gângster como há muito tempo não é visto, que recicla o gênero e volta às origens. Sem grandes tomadas, realizado de forma mais intimista, Hillcoat e Cave claramente bebem na fonte e produzem um filme inovador. No fim, mesmo que não conte uma história convencional, ele homenageia o gênero e prova que ainda existe criatividade em Hollywood quando se tenta repaginar um ideia antiga.

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