FILME 129 > MOONRISE KINGDOM (2012)

Depois de um longo inverno, estou de volta \o/

Alguns problemas me seguraram pelo caminho, mas antes de qualquer coisa, preciso comentar sobre o filme que mais gostei do Festival do Rio 2012 (esse mesmo, que aconteceu lá em setembro).

MK

Por Raphaela Ximenes

Quando o diretor Wes Anderson se une ao seu amigo de infância, Roman Coppola, não há dúvida que alguma história inusitada será apresentada.  MOONRISE KINGDOM, nem é tanto o caso, porque trata-se de uma doce história de amor adolescente, o que chama a atenção, aqui, é como eles a contam, transformando-a em uma fábula moderna.

Tudo começa com Ward (Edward Norton), chefe dos escoteiros, descobrindo que um de seus meninos, Sam (Jared Gilman), fugiu no meio da noite. Ao mesmo tempo, a família Bishop descobre que sua filha mais velha, Suzy (Kara Hayward), também fugiu. Sam e Suzy se encontram no meio do campo e fogem até uma praia deserta na costa mais afastada da pequena ilha onde vivem. Toda a cidade é mobilizada para encontrar o jovem casal, Ward e os meninos do acampamento, o Capitão da Polícia, Sharp (Bruce Willis), e os pais de Suzy, interpretados por Bill Murray e Frances McDormand.

 Ambientado nos anos 1960, MOONRISE KINGDOM tem uma pureza e ingenuidade sincera. Sam e Suzy são solitários em seus mundos, ele por ser órfão, ela por ser imcompreendida por seus pais. Sam guarda em si uma melancolia heróica, não quer ser um fardo para sua família adotiva e nem para o Chefe dos Escoteiros, por isso decide fugir com Suzy para ter algo seu e uma vida mais feliz. Suzy é repleta de uma raiva contida, que consegue acalmar com livros sobre mundos mágicos e personagens grandiosos. A menina descobre em Sam como estar em paz e ser aceita como ela é. O que à primeira vista soa como um filme quase infantil, tem camadas bem mais profundas, que falam com muita sutileza sobre solidão.

 Começando pela ilha onde vivem os personagens do filme, que se torna isolada do resto do mundo, uma vez ao ano, quando acontece uma enorme tempestade. Seus personagens vivem um cotidiano simples, mas não parecem felizes. A mãe de Suzy, Laura, se comunica com a família através de um megafone, dando a sensação de distância entre eles. O pai parece sempre alheio a tudo. Sharp, o Chefe de Polícia é um homem solitário, que tenta manter um caso com Laura. Ward, o Chefe dos Escoteiros, parece duvidar de si todo o tempo e seus amigos são as crianças do acampamento. A fuga do jovem casal e a tentativa de ser feliz, é o que passa a mover esses personagens, que percebem o que devem mudar em suas próprias vidas.

 Outro ponto muito positivo de MOONRISE KINGDOM é sua belíssima direção de arte, onde cada cena é montada, coreografada e apresentada como uma pintura. A preocupação estética de Anderson é quase neurótica, onde cada detalhe de uma cena é milimétricamente pensado. Seu filme lembra os livros que Suzy sempre carrega consigo, já que até suas capas foram criadas por uma artista plástica, especialmente para o filme.

 Todos esses elementos, além das atuações comoventes de Jared e Kara, que estreiam juntos na tela, transformam MOONRISE KINGDOM em uma experiência fantástica. Anderson, mais uma vez, emociona com sua forma contida de contar uma história que acaba sendo arrebatadora.

*Crítica publicada em 03 de outubro de 2012 no site Almanaque Virtual

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