FILME 127 > THE DARK KNIGHT RISES (2012)

Por Raphaela Ximenes

A conclusão mais esperada dos últimos quatro anos finalmente chegou ao cinema e foi além das expectativas de todos os fãs de Batman.

Abaixo, copio na íntegra minha crítica publicada no Almanaque Virtual, dia 26 de julho. Leiam, comentem 😉

Ao terminar a sua trilogia, o diretor Christopher Nolan escreveu uma carta de despedida onde comentou como foi realizar a saga. Afirmou que nunca pensou desde o início em dirigir três filmes, que tudo aconteceu de forma orgânica, conforme cada filme era finalizado. Desde “Batman Begins” (2005), “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008) até chegar ao último, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, EUA, 2012), Nolan não sabia muito bem o que ia acontecer, apenas se uniu a equipe, elenco e tentou fazer o melhor trabalho possível, dedicando-se a cada filme de forma única.

Não há a menor dúvida de que a saga Batman de Nolan é um divisor de águas, mudando completamente a maneira de contar a história de um super-herói. Sua visão sombria e realista, dá humanidade aquele que se sobressai aos demais. E, por mais que ele afirme não ter o intuito de realizar os três filmes desde o início, é impressionante como um filme complementa o outro, com total fluidez. O personagem nasce, cresce e amadurece a olhos vistos durante toda a saga, com muita naturalidade.

Desde o primeiro filme Batman é apenas um codinome, que poderia ser qualquer outro. O verdadeiro herói não preocupa-se com títulos, com reconhecimento, ele quer apenas que tudo melhore, que não exista  mais sofrimento, sendo capaz de ir além do bem para conseguir superar e ajudar Gotham. Lá em “O Cavaleiro das Trevas”, o ápice da trilogia, Batman dá um passo pra trás para deixar brilhar quem ele acredita ser merecedor, Harvey Dent, mesmo que seja um herói caído, ainda melhor do que nada. Melhor do que não haver mais esperança. Crane, Coringa e agora Bane querem acabar com seu espírito, para destruir seu corpo, mas ele ressurge, se reinventa a cada filme para poder combater o “mal” e evitar que a cidade, que seu pai tanto amava não ceda e afunde. Um herói que aprendeu com o próprio mal como combatê-lo.

Em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Bruce Wayne encontra-se confinado em sua mansão, sendo cuidado apenas por Alfred, já que Batman teve que se exilar após o confronto com Harvey Dent. Oito anos se passaram, graças a sua atitude, foi criado o “Dent Act” uma lei mais severa que rege Gotham. O Comissário Gordon apenas se preocupa com pequenas contravenções, mas ao mesmo tempo se sente inquieto. Enquanto isso, no subterrâneo o mal cresce, trabalha e espera. O mercenário Bane se une ao rei das construções de Gotham, John Daggett, que quer o império Wayne para si. Mas o plano de Bane é muito mais sombrio, ele necessita que Batman volte para assistir sua vitória, a tomada de Gotham. Por outro lado, Bruce Wayne precisa se unir novamente a Lucius Fox e a milionária Miranda Tate, para salvar o que resta do seu império, ao mesmo tempo que se sente atraído pela misteriosa ladra Selina Kyle. Observando tudo está o jovem oficial John Blake, em quem Gordon passa a confiar por sua sensibilidade em perceber quando algo não parece certo.

A Gotham de Nolan é todas as principais cidades norte-americanas, que passaram por revoluções, protestos e tentou chamar atenção do Governo atualmente. Bane é um revolucionário ditatorial, que decide devolver Gotham ao seu povo. Ele prende a polícia, destitui o prefeito e cria suas próprias leis através do medo e da violência. Uma metáfora extrema do mundo, que choca por ser verdadeira e que traça um tênue linha imaginária entre Gotham e a História política e econômica atual. Esse é o maior trunfo de Christopher Nolan, Jonathan Nolan e David S. Goyer, que criam uma cidade realista, atual, dão a ela um justiceiro e depois a vestem com uma névoa de irreal, com vilões extremistas, alta tecnologia, acertando o tom e transformando esse sensacional filme policial em um dos melhores filmes de super-herói já realizado.

Claro que para um roteiro desse nível funcionar é necessário um elenco a altura, onde mais uma vez Nolan se cercou dos melhores. Começando por Christian Bale, que encarna com perfeição o Batman. Gerações passarão, outros filmes sobre o herói serão feitos, mas Bale fará parte do Olimpo da DC para sempre. Assim como Michael Caine, como Alfred, Morgan Freeman como Lucius Fox e Gary Oldman como Comissário Gordon. Tom Hardy ganhou a difícil tarefa de ser o grande vilão após a aclamada atuação de Heath Ledger como Coringa. Sem comparações, porque não cabem, nem devem existir, Bane é o vilão perfeito, forjado pelo ódio, alimentado pela vingança e fortalecido no esquecimento do submundo de Gotham. Hardy se sobressai, dando a Batman mais um vilão inesquecível. Anne Hathaway nos faz acreditar que ninguém mais no futuro poderá usar os trajes de Selina Kyle e Joseph Gordon-Levitt veste muito bem seu papel de braço direito do Comissário Gordon, mostrando-se mais importante do que aparenta.

Chamar o Batman de Nolan de super-herói soa falso, porque ele não é super, mas com certeza é herói. É o justiceiro maior, que vela pelo bem maior a qualquer custo, sua fé é testada, seu espírito quase destruído, seu corpo massacrado, mas ele luta, se reconfigura e com certeza ressurge.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é o fim perfeito de uma trilogia, que finalmente merece esse título. Uma saga completamente autoral, construída da competência de Nolan, que realizou o sonho de executar a versão final para Batman. Ele consegue se consolidar como diretor com esse filme, sua marca está muito clara em toda a produção como o famoso sinal luminoso de seu super-herói. Mais do que realizar uma trilogia sobre o herói, construiu uma das mais belas homenagens que alguém algum dia poderia conceber. Só resta agradecer a ele por seu compromisso com os criadores do Batman, com o herói e, principalmente, com os fãs.

Um comentário sobre “FILME 127 > THE DARK KNIGHT RISES (2012)

  1. Rapha, concordo com você em tudo, principalmente sobre a qualidade do roteiro. Nolan soube, mais que tudo, construir roteiros que nos fizessem querer acompanhar as histórias. E sem se submeter às obviedades para agradar aos fãs (como frequentemente faz a Marvel em seus filmes), fez 3 filmes que empolgam quem acompanha e quem não acompanha o personagem nos quadrinhos. Neste último, ele utilizou, com inteligência e respeito, várias referências. Estão ali O Filho do Demônio, o arco A Queda do Morcego, A Vingança de Bane, Ano Um, Mulher Gato, Gordon’s Law, Gotham Nights e Gotham Central. De maneira interessante, ele dá uma versão plausível para o Poço de Lázaro e a relação entre Batman e Talia. O próprio Bane (que já havia sido utilizado de forma bizarra no bizarríssimo Batman e Robin), aparece como um vilão possível, num mundo em crise como é o da vida real. Nolan seguiu a cartilha de Woody Allen: só um bom roteiro faz um bom filme. Infelizmente, acabou…

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