Obrigada, Nolan (um pouquinho sobre The Dark Knight Rises)

Por Raphaela Ximenes

Ontem, quando acabou Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge, a primeira coisa que me veio a cabeça foi um texto que escrevi sobre o segundo filme da trilogia, lá em 2008, quando vi aquele filme pela primeira vez.

Lembro que achei Batman, O Cavaleiro das Trevas tão perfeito, que uma conversa me inspirou a compará-lo a um vinho francês raro e caro. Daí, hoje decidi resgatar meu texto e republica-lo aqui, para a partir dele, comentar um pouquinho sobre o terceiro filme da saga Batman.  Seu título era Montrachet 1947.

(22 de julho de 2008)

Na segunda passada vi Batman, O Cavaleiro das Trevas, numa sessão de pré-estréia, antes de um monte de gente e tal.

Mas não é isso o que importa.
O que importa é que o filme é lindo.
Sim, lindo.
Então, na terça estava conversando com um amigo sobre um vinho que ele tomou em uma degustação naquele dia. Era um vinho francês, Montrachet 1947. De acordo com ele, um vinho espetacular. De acordo com o Google, beeem caro.
Para que eu entendesse melhor a experiência dele com o vinho, ele tentou fazer uma analogia ao cinema, o que acabou me levando de volta à minha experiência na noite anterior com o Batman.
Antes que alguém ache que, agora sim eu enlouqueci completamente, deixa eu explicar.
Primeiro, que Batman: O Cavaleiro das Trevas está muito além de um simples filme de super herói. Há ação, há adrenalina, mas muito mais do que isso, há uma preocupação do roteiro em mostrar personagens complexos, que vão além do puro maniqueísmo bem e mal.
O grande vilão do filme, o Coringa, já se tornou um dos maiores vilões do cinema atualmente. O seu desapego ensandecido é o que mais aterroriza no filme. Assistir de camarote tudo ruir, exatamente como ele manipulou, é sua maior gratificação. Sem mencionar a atuação perfeita de Heath Ledger, que me deixou com um nó na garganta.
Outro ponto forte do filme é a atuação de Aaron Eckhart, de quem na verdade sou muito fã. Era quase óbvio que ele conseguirira se destacar entre tantas estrelas. Harvey Dent não poderia ser outro neste filme, assim como o Coringa também não. E o Batman, que quase se torna um coadjuvante em seu próprio filme, observa e tenta não deixar tudo ser destruído, provando no fim do que são feitos os verdadeiros heróis.
É verdade que o “mundo” de Batman é bem mais sombrio que dos outros heróis, mas mesmo assim sempre há aquela nuvem de faz de conta em volta dos super heróis, que se dissipa nesse filme, tornando-o um excelente filme policial. O que agrada tanto os fãs xiitas de HQ, quanto os cinéfilos que poderiam torcer o nariz para o Batman. Já que acima de tudo, não há dúvidas que se trata de um filme do Christopher Nolan, tornando-o, também, um filme completamente autoral.
Enfim, uma experiência mais do que gratificante para os amantes do cinema. O que me levou a pensar durante nossa conversa sobre o Montrachet 1947, é que com certeza assistir pela primeira vez um filme tão impactante, deve ser como provar um vinho francês espetacular.

Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge é o vinho que envelheceu bem – para continuar a analogia – pois o mesmo arrebatamento que senti ao escrever o texto acima, senti ontem quando tudo terminou e de forma tão perfeita. Um fim que me trouxe lágrimas aos olhos por perceber o que é possível ser realizado por uma mente brilhante. Christopher Nolan consegue se consolidar como diretor com um filme que poderia ser mal visto, mas que é, mais uma vez, completamente autoral. Sua marca está muito clara em toda a produção como o famoso sinal luminoso de seu super-herói.

Sem entrar em detalhes, porque deixarei esses para a crítica que publicarei semana que vem, tudo que consigo afirmar agora é que a trilogia está fechada de forma magistral. Batman agora tem sua versão final, perfeita. Mesmo que no futuro alguém decida reiniciar a história, ela nunca será contada de forma tão honesta. Nolan, mais do que realizar uma trilogia sobre o herói, construiu uma das mais belas homenagens que alguém algum dia poderia conceber. Por isso, como fã, tudo o que me resta é agradecer. Por seu compromisso com os criadores do Batman, com o herói e, principalmente, com os fãs.

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