FILME 126 > ON THE ROAD (2012)

Por Raphaela Ximenes

Depois de muita especulação e de uma passagem conturbada pelo Festival de Cannes desse ano, finalmente chega aos cinemas brasileiros o filme ON THE ROAD, baseado no clássico livro de Jack Kerouac e dirigido por Walter Salles.

Salles conseguiu realizar um belo filme, com atuações incríveis, mas fica uma leve sensação de “faltou alguma coisa”. Republico aqui a crítica que fiz sobre o filme, para o site Almanaque Virtual, publicada dia 10 de julho:

A primeira tentativa de adaptar o livro “On the Road” para o cinema, partiu do próprio Jack Kerouac em 1957, quando o escritor enviou para Marlon Brandon uma carta pedindo que ele fosse Dean Moriarty na tela. Em 1979, o diretor e produtor Francis Ford Copolla conseguiu comprar os direitos do livro e desde então buscou alguém que conseguisse transportar para o cinema o livro tão cultuado. Ethan Hawke, Brad Pitt, Billy Crudup e Collin Farrell foram alguns dos atores escolhidos, durante os anos, para viver Sal Paradise e Dean Moriarty. Diretores como Joel Schumacher e Gus Van Sant também foram considerados para participar do projeto. Finalmente, em 2005, o diretor Walter Salles passou a se envolver, a pedido de Copolla, após assistir “Diários de Motocicleta”. Sam RileyGarret Hedlund e Kristen Stewart, foram escolhidos para os papéis de Sal Paradise, Dean Moriarty e Marylou, respectivamente e finalmente em 2010 as filmagens começaram. Diretor, elenco e equipe estudaram a fundo a geração beatnick, tudo para que a produção finalmente acontecesse. Agora, em 2012Na Estrada (On the Road, 2012) finalmente chega aos cinemas. Com uma estréia morna em Cannes, o filme não agradou completamente a crítica mundial, mas também recebeu alguns elogios, principalmente por causa de todo o trabalho que deu para que ele existisse.

Coube a Walter Salles o peso de adaptar o livro mais citado, copiado, homenageado e que mais inspirou o cinema norte-americano, por gerações. Um brasileiro, que havia realizado um filme sobre a juventude de Che Guevara na argentina, foi escolhido para levar às telas um dos ícones da literatura norte-americana. Claro que Salles sentiu esse peso em seus ombros. Por isso mesmo levou anos estudando, conversando e decidindo como montaria sua narrativa. Quais pontos eram os mais importantes, quais personagens, além dos principais mereciam destaque e, principalmente, qual enfoque. Para ele era fácil transformar o livro que inspirou grande parte dos road movies que existem em mais um deles, mas o diretor optou por uma perspectiva mais pessoal, já que a viagem de Kerouac e Sal é interna.

Tudo começa quando Sal Paradise perde seu pai em 1946 e conhece Carlo Marx (Tom Sturridge), um escritor que decide que Sal precisa conhecer Dean Moriarty, casado com uma menina de 16 anos, Marylou, e que vive em plena liberdade, sem se prender a nada, nem a ninguém. Sal é atraído pela forma livre pela qual Dean e Carlo vivem. Sal e Dean viajam pelos EUA em busca de si mesmos, Sal para poder livrar-se da perda do pai e Dean para tentar reencontrar o seu. Durante cinco anos, Sal e Dean, que na verdade é baseado no escritor Neal Cassidy, conheceram músicos, outros escritores, experimentaram a vida de todas as formas, e mudaram a forma que os EUA e os norte-americanos pensavam sobre o “american way of life”.

Talvez, o que pode não ter agradado à grande parte da crítica, que esperou por muitos anos até que Na Estrada finalmente chegasse aos cinemas, deve ser o fato de Salles ter optado por um olhar mais romântico para realizar seu filme. O texto cru e forte de Kerouac, ganhou tons mais leves sob sua visão. Estão presentes as experiências com drogas e sexo, mas de forma alguma choca, como chocou em sua época. Sim, o mundo é outro, Kerouac e toda a geração beatnick é, com certeza, responsável por muito do que existe atualmente, na literatura, na música e principalmente no cinema. É certo que atualmente é um livro clássico, mas extamente por ter ousado e quebrado barreiras em sua época, merecia uma versão que pelo menos tentasse causar o mesmo impacto. Salles optou pela estrada mais suave, menos perigosa, resultando em um filme bonito, bem realizado, com atuações incríveis, mas que no fim incomoda um pouco por sua visão romântica, nostalgica, completamente diferente do incomodo que o livro provoca e, por isso mesmo, até hoje é cultuado.

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