FILME 122 > PROMETHEUS (2012)

Por Raphaela Ximenes

Semana passada finalmente PROMETHEUS estreou nos cinemas, mas só agora pude sentar com calma e falar sobre ele com vocês. Claro que para ver esse filme revi a “quadrilogia” ALIEN, apesar de PROMETHEUS estar mais relacionado ao primeiro filme e a origem de tudo.

Primeiro gostaria de observar que Ridley Scott nunca teve a intenção de realizar um filme cerebral, com profundas discussões sobre humanidade. Isso deixamos pro grande Kubrick em “2001” ou para o Tarkovskiy e seu “Solaris”. Em PROMETHEUS, Scott quis voltar ao universo que ajudou a criar em 1979 ao lado do grande Dan O’Bannon e do artista plástico H. R. Giger. Aliás, é indescritível a emoção ao descobrir no filme atual, toda uma câmara com a estética de Giger, mas já voltamos a isso.

Para o segundo filme, Scott foi afastado e O’Bannon não era mais o roteirista. Assim, o diretor esperou mais de 30 anos para poder finalmente realizar o filme que ele queria, razão pela qual zerou tudo, ligando essa nova produção ao único da saga que o interessava, o primeiro. Infelizmente, O’Bannon faleceu em 2009. Agora, Damon Lindelof e Jon Spaihts são os roteristas de PROMETHEUS.

No ano de 2089 a arqueóloga Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) descobre, em vários desenhos antigos de diferentes culturas, o mesmo mapa estelar e percebe que ali pode estar o segredo de como começou a raça humana. Quatro anos depois, Peter Weyland (Guy Pierce) constrói a nave Prometheus para seguir o caminho traçado pelo mapa até a lua LV-223. A tripulação é mantida em suspensão criogênica, enquanto é monitorada pelo andróide David (Michael Fassbender). Quando chegam ao destino, a Doutora Shaw e sua equipe descobrem uma enorme estrutura artificial, percebendo que ali podem haver respostas para suas dúvidas. Indo contra a ordem da diretora da expedição, Meredith Vickers (Charlize Theron), a equipe descobre uma câmara secreta, onde existem milhares de cilindros de pedra, que contêm uma estranha substância orgânica, monolitos e uma enorme estatua no formato de uma cabeça humanóide. Também encontram os cadaveres de um estranha espécie alienígena. Com a aproximação de uma tempestade mortal, a equipe volta para a nave com a cabeça de um dos cadáveres e um dos cilindros de pedra, mas precisam deixar para trás os dois geólogos que se perderam dentro da estranha caverna. Conforme pesquisa o material recolhido e levado para a Prometheus, a tripulação descobre segredos macabros, assim como os dois geólogos deixados na caverna.

Em muito PROMETHEUS se assemelha a “Alien”, por se tratar de uma nave com um tripulação de pessoas estranhas entre si, com um único propósito. Ao mesmo tempo, essa produção vai além, apresentando novos fatos, explicando alguns e usando novos elementos para criar o suspense.  Jon Spaihts e Damon Lindelof ficaram com o árduo trabalho de honrar a obra de O’Bannon, o que resultou em um roteiro rico e muito bem ligado ao filme de 30 anos atrás. Por sua vez, Scott mostra ainda estar em sua melhor forma, criando uma ficção-científica como há muito tempo não é realizada, o que agrada de qualquer forma, mesmo que esse não fosse um filme ligado a  cultuada franquia Alien.

Os personagens são bem construídos e mais uma vez o andróide se destaca. Fassbender parece feito de plástico, fios, fluídos, convencendo a qualquer um que ele é um ser artificial. Sua frieza robótica, sua curiosidade puramente científica e seus maneirismos não são humanos. Noomi Rapace é a curiosa arqueóloga que desperta seu instinto de sobrevivência, fazendo surgir diante do público uma nova heroína.

Arrematando a obra, temos a estética de H. R. Giger muito bem utilizada aqui, em um volume bem mais alto, o que é um delírio para os olhos, principalmente daqueles que estavam com saudade. Além do belo e pertubador visual, PROMETHEUS também tem a seu favor cenas que já são antólogicas, como as vividas por Fassbender, como David, em seus momentos “sozinho” na nave. A tensa “cirurgia” da Doutora Shaw, além da sequência final, talvez a mais esperada de todo o filme.

Enfim, PROMETHEUS é um belo presente para aqueles que estavam com saudade de um verdadeiro filme de ficção-científica, como há muito tempo não é realizado. Um presente para os fãs de Ridley Scott e uma belíssima homenagem ao genial Dan O’Bannon.

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