DIA 106 > 22.04.2012 > ONCE (2006)

Por Raphaela Ximenes

Domingo de chuva em casa decidi rever ONCE, um dos filmes mais bonitos que já vi por misturar música e romance de uma forma muito suave. Sim, a produção é de 2006, mas só ganhou o mundo em 2007 e chegou ao Brasil em 2008, porque ganhou o Oscar de melhor canção para “Falling Slowly”.

Antes de falar sobre ONCE, vamos voltar a 1991 e ao filme “The Commitments” de Alan Parker. Ali Glen Hansard debutava no cinema com 21 anos, como o guitarrista franzino, de longo cabelo ruivo encaracolado, que quase era apagado por outros personagens mais extrovertidos e ruidosos. O filme tornou-se cult e Hansard, assim como grande parte do elenco, continuaram pelo caminho da música, com a banda The Frames, depois com a The Swell Season e também solo.

O diretor John Carney, que era baixista da The Frames, convidou Hansard para protagonizar seu projeto, ONCE. Um musical disfarçado, que conta a história de dois músicos, um rapaz que toca violão pelas ruas de Dublin (Hansard) e uma moça que tenta se sustentar de todas as maneiras possíveis, mas se revela uma grande pianista (Markéta Iglová). Decidido a entrar para a indústria fonográfica, o rapaz convida a moça e mais um grupo de rapazes, que também tocavam nas ruas, para gravar uma demo. O intuito do rapaz é levar a demo até Londres e tentar convencer alguma gravadora de distribuí-lo.

As canções fortes, que embalam o melancólico casal, são o contraponto do filme, as emoções que o rapaz e a moça não conseguem expressar explicitamente. A sutileza das interpretações de Hansard e Iglóva comove por conseguir passar a força dos sentimentos que eles guardam. Tudo o que não é verbalizado, explode em canções interpretadas com a mesma força de suas letras. Os personagens são comuns, mas suas complexidades surgem nas palavras não ditas, nos olhares confusos e na linguagem corporal contida. Por isso, não há necessidade de nomeá-los, Hansard e Iglóva são um casal que se esbarra, trocam experiências e a partir dali tudo pode acontecer.

Os dois personagens de ONCE nos conquistam com suavidade, afinal querem apenas alcançar aquele algo mais, tão normal dos seres humanos. Não há um grande amor arrebatador, somente naturalidade, que é cada vez mais rara em filmes sobre o amor. Aqui a possibilidade do que poderia acontecer é muito mais interessante do que o arrebatamento explícito, razão pela qual fica fácil se apaixonar pelo filme do começo ao fim.

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