FILME 57 > JUAN DE LOS MUERTOS (2011)

Por Raphaela Ximenes

Ano passado, no Festival do Rio, antes da exibição do filme JUAN DE LOS MUERTOS, o diretor Alejandro Brugués disse que esperava que todos entendessem e se divertissem com a sua viagem. Quando o filme acabou, a sala de cinema lotada aplaudiu de pé Brugués, por dez minutos. Com certeza, muito merecido.

Afinal, do que se trata JUAN DE LOS MUERTOS? Simples, é um filme realizado em Cuba sobre um ataque zumbi a Havana, dirigido por um argentino. Para fãs de filmes de zumbi é um deleite, para os fãs do cinema latino-americano, também. Esse é o primeiro filme de terror produzido em Cuba, sobre um grupo de desocupados que decide ganhar dinheiro quando zumbis atacam Havana. Mas, desde a primeira cena, fica claro que mais do que um divertido filme de zumbis, JUAN DE LOS MUERTOS é uma inteligente sátira ao momento político por qual Cuba passa atualmente. Além de deixar claro que Brugués é fã de George Romero e outros diretores do gênero, sabendo usar perfeitamente todos os clichês do estilo para realizar seu filme.

 

Juan (Alexis Díaz de Villegas) vive de pequenos trabalhos aqui e ali, ao lado de seu melhor amigo, Lázaro (Jorge Molina). Os dois amigos acabam percebendo que algumas pessoas parecem ter contraído uma estranha doença e passam a atacar os que não foram infectados. Sem saber o que são zumbis, o governo os nomeia como “dissidentes norte-americanos” que estão atacando Cuba. Nesse cenário caótico, Juan se une a outros sobreviventes e cria um grupo que extermina zumbis, por uma quantia justa e usa como lema “Matamos os seus seres queridos”.

 Juan é um sobrevivente que conseguiu passar por todas as fases de Cuba sem um arranhão e decide que agora não será diferente. O grupo de Juan é a mais divertida representação de boa parte do povo cubano, que sobrevive como pode usando o bom humor para ir em frente. Em um momento que o país não sabe bem que direção tomar, a revolução dos zumbis é a crítica perfeita em relação a situação em que Cuba se encontra. Cenas de lutas entre o bizarro grupo de Juan e os zumbis são pontuadas por frases escritas nos muros da cidade, ainda da época da Revolução. “La patria o la muerte”, “Habana Libre” e outras frases de efeito que sempre estiveram presentes na vida cotidiana daquele povo, servem de mensagem subliminar perfeita para um sátira ao sistema político que se recusa morrer ou pelo menos se atualizar.

O que também mostra a genialidade de Brugués ao realizar seu  JUAN DE LOS MUERTOS, é a discrepância entre a qualidade estética do filme, seus efeitos especiais em relação a Havana em si. Uma cidade parada no tempo. Além da excelente direção de Brugués, o ator Alexis Díaz de Villegas é o perfeito anti-herói. Franzino e nem um pouco bonito, encarna muito bem o malandro sem muito escrúpulos, que está mais preocupado em sobreviver a toda aquela confusão, mas que no fundo acaba sempre ajudando ao próximo.

Com cenas que lembram famosos filmes do gênero, misturado a sátira política, atuações geniais e um fim perfeito,  JUAN DE LOS MUERTOS já é um clássico do gênero terror/zumbis, que merecidamente ganhará público e fãs por todo o mundo. A prova disso é que ao ser apresentado em um Festival de Cinema Fantástico nos EUA, o filme foi muito elogiado, ganhando milhares de fãs no país que inventou o gênero. Ainda não se sabe quando esse filme voltará para os cinemas brasileiros ou se será lançado diretamente em DVD. Mas, seja como for, ele é mais do que obrigatório para os fãs de filmes de zumbis.

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