FILME 35 > ANONYMOUS (2011)

Por Raphaela Ximenes

O que me deixou intrigada e irritada após assistir ANONYMOUS foi lembrar que o chato, sem personalidade e recheado de pieguices “Shakespeare Apaixonado”, de 1998, ganhou sete Oscars, entre eles o de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e ainda premiou a atriz mais sem graça e insossa que Hollywood já produziu, Gwyneth Paltrow, com o prêmio máximo para a sua categoria. Desde então, poucas vezes me lembro desse filme. Apenas quando algum canal o repete pela milionésima vez, ou alguém suspira lembrando como o filme é “original e lindo”, não. Não é. Ele é uma tentativa de homenagem fraca e preguiçosa a um dos maiores escritores de todos os tempos que, com certeza, merecia coisa muito melhor. 

Então, hoje, assistindo ao filme ANONYMOUS, percebi que provavelmente o roteirista John Orloff deve pensar mais ou menos da mesma forma, porque criou um roteiro genial, onde ele homenageia Shakespeare, duvidando de seu caráter, transformando o bardo em um bode expiatório dentro de uma genial história de conspiração contra a Rainha Elizabeth. Sem heroísmos gratuitos, sem mocinhas suspirantes e sem amores avassaladores, o filme homenageia o escritor com uma trama que poderia ter saído de sua pena. Intrigas, conspirações, heróis atormentados e até um amor proibido, lembram aqui e ali partes de peças famosas de Shakespeare, tornando ANONYMOUS um grande filme, que deixa uma pergunta no ar: Por que diabos esse filme não está, pelo menos, concorrendo ao Oscar de Melhor Roteiro Original?  

A razão da minha irritação é essa, que um filme realmente bom apenas concorre ao Oscar de Melhor Figurino (isso mesmo, Melhor Figurino) e um filme sem graça, sem criatividade concorreu e ganhou o Oscar de Melhor Filme. Quer comparar? Então vamos lá.

ANONYMOUS começa em um teatro em nosso tempo, com um narrador no palco introduzindo a história do filme e deixando claro que tudo aquilo é ficção. Daí em diante o filme vai até a época de Shakespeare e de uma Rainha Elizabeth (Vanessa Redgrave e Joely Richardson) já velha e cansada, o que começa a gerar especulações sobre quem deve ser seu sucessor. Em sua corte vive Eward De Vere, o Conde de Oxford (Rhys Ifans e Jamie Campbell Bower), que sempre quis ser dramaturgo. Porém, seu posto nobre e sua religião não o permitem, assim, Shakespeare, que na verdade era um ator medíocre e vulgar, percebe a possibilidade de brilhar e passa a se apresentar como autor das peças. Tudo durante um período conturbado da História da Inglaterra, onde o Conde de Oxford tem um papel mais importante do que parece.

Dirigido, surpreendentemente, por Roland Emmerich, que aqui faz um excelente trabalho, ANONYMOUS além de sua trama muito bem costurada, que mistura com maestria ficção e História, conta com as atuações soberbas de Redgrave e Ifans. Um filme que apenas engrossa a lista de injustiças do Oscar desse ano, ao lado de Drive e Tintim

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